Home > Mosaico > De onde vêm as superstições
Mosaico
02.06.2017 por Bayer Jovens

De onde vêm as superstições

Por que responder a um espirro com um “Deus o abençoe”? E gatos pretos dão mesmo azar? Conheças as histórias por traz dessas crenças

Quem nunca deu três batidinhas na madeira para afastar o azar? Ou se desviou do caminho para não passar por baixo de uma escada? As superstições nos acompanham desde pequenos e são passadas de geração a geração. Crescemos acreditando que determinados comportamentos e ocorrências podem alterar de repente o rumo das coisas, para melhor ou para pior e por isso, mesmo sem uma explicação plausível, fazemos o que for preciso para aliviar angústias e temores. Porém, muitas das superstições que conhecemos têm origens folclóricas e históricas. Conheça dez dessas crenças, algumas das quais publicadas na revista Mundo Estranho.

  • Abrir o guarda-chuva dentro de casa – Os guarda-chuvas produzidos no século 18, na Inglaterra, possuíam um mecanismo de metal rígido e podiam causar acidentes e machucar quem estivesse por perto. Por isso a crença de que abri-los em locais fechados dava azar.
  • Quebrar o espelho – São várias as histórias por traz dessa crença. Uma delas vem de Veneza, na Itália. Quando surgiram, os espelhos eram caros e, para que os serviçais tomassem o máximo de cuidado ao limpá-los, inventou-se que quem os quebrasse teria anos de azar. Já na Antiguidade, a adivinhação por meio de reflexos na água, conhecida por catoptromancia, era muito popular. Acreditava-se que os reflexos carregavam o prospecto das almas de cada um. Então se alguém derrubasse o recipiente com água e este se partisse, azar na certa. Já os romanos falavam em sete anos de azar porque acreditavam ser esse o tempo que durava cada ciclo da vida; ou seja, passados sete anos, tudo se renovava e o azar terminava.
  • Três batidinhas na madeira – Antes da era cristã, as árvores tinham um significado especial para muitas culturas. Alguns as viam como oráculo e outros como casas de espíritos e deuses. Por isso era comum que as pessoas colocassem a mão sobre elas para fazer pedidos, orar ou agradecer por graças conquistadas. Com o tempo – e talvez por causa da falta de árvores por perto –, passamos a dar as tais três batidinhas na madeira.
  • Noivo ver a noiva com o vestido antes do casamento – Hoje em dia a noiva faz mistério para surpreender o noivo, mas antigamente, em uma época em que o casamento tinha mais a ver com uma relação comercial do que com romance, os pais da noiva, com medo de que o noivo não gostasse da moça e desistisse do casamento, a escondiam até a hora da cerimônia, com a desculpa de que dava azar vê-la antes.
  • Sal sobre o ombro esquerdo – É no ombro esquerdo que vive o anjo mau que faz de tudo para nos prejudicar. Então, nada melhor do que jogar um salzinho para cegá-lo, diz uma lenda popular entre os povos turcos.
  • Olho turco (ou grego) – Com a força de um olhar invejoso, um homem partiu uma rocha que nem mesmo mais de mil pessoas juntas conseguiram quebrar. A lenda, iniciada no Mediterrâneo, foi utilizada por diferentes povos. Então, se o olho turco aparecer rachado, pode jogá-lo fora, pois ele cumpriu a função de proteger quem o possui.
  • Cuidado ao passar debaixo da escada – Alguns brincam que o azar está em ser atingido por uma lata de tinta. Mas, na verdade, o triângulo formado por ela, aberta ou apoiada na parede, representa um dos símbolos da Santíssima Trindade. Por isso, passar pelo centro desse triângulo seria um pecado, pois poderia causar um desequilíbrio entre Pai, Filho e Espírito Santo.
  • O número 13 – A superstição tem várias origens. Uma delas se refere a Judas, o traidor de Jesus, que, apesar de ser o 12º apóstolo, foi o 13º convidado para a Santa Ceia. Outro 13º participante de um jantar foi Loki, Deus da trapaça. Além de intruso – chegou sem ser convidado –, induziu o deus cego Hoder a matar involuntariamente o irmão, Balder, com uma flechada.
  • Gato preto – Os bichanos são atormentados desde a Idade Média, quando, devido aos seus hábitos noturnos, eram associados às bruxas. O papa Inocêncio VIII também ajudou a disseminar a superstição ao incluir os gatos pretos na lista de perseguidos da Igreja Católica. E William Baldwin, um autor inglês, reforçou ainda mais a lenda ao escrever, em 1561, Beware the Cat, uma ficção de horror em que gatos pretos eram bruxas disfarçadas.
  • Espirrou? Deus te abençoe! – Por que pedir uma benção depois de um espirro? Tudo começou na Itália do século 6, com o papa Gregório, o Grande. Na época, uma peste assombrava a região e matava muita gente. Entre os primeiros sintomas da doença estavam espirros crônicos. Por isso o Papa ordenou que, ao ouvir um espirro, as pessoas respondessem com um pedido de benção e orassem para os enfermos.