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Inovação
06.11.2016 por Bayer Jovens

Como transformar CO2 em etanol

Acidentalmente, cientistas norte-americanos descobrem uma reação química capaz de produzir álcool a partir de dióxido de carbono

A intenção dos cientistas do Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee, era alterar a estrutura molecular do dióxido de carbono (CO2) para produzir metanol. Mas, no meio do processo, acidentalmente, encontraram algo ainda melhor: uma reação química que conseguia transformar CO2 em etanol combustível. Com isso, um problema pode virar uma solução.

O dióxido de carbono é indispensável à vida, pois tem papel essencial na fotossíntese. Porém, a liberação excessiva de CO2 por meio da queima de combustíveis fósseis, desmatamentos e queimadas é apontada como uma das principais causas do aquecimento global e das mudanças climáticas. Quanto ao metanol, que era o objetivo dos cientistas, trata-se de um produto químico usado com solvente e na produção de polímeros sintéticos, como o plástico, entre outras aplicações. E o etanol é o álcool combustível que abastece boa parte da frota de veículos no Brasil.

Os cientistas de Oak Ridge disseram que a descoberta representa “uma reviravolta tecnológica na área de criação de combustível”. Eles reconheceram que levaram um susto ao perceber que, por um erro de conjugação eletroquímica, eles tinham conseguido produzir etanol, um álcool derivado de vegetais, como a cana-de-açúcar.

A equipe utilizava um catalisador de carbono, cobre e nitrogênio e uma pequena tensão elétrica para desencadear uma reação química em uma solução de CO2, na tentativa de chegar ao metanol. “Estávamos na primeira etapa de um processo quando percebemos que o catalisador estava fazendo a reação por conta própria e, por acaso, descobrimos que o resultado era o etanol. Foi uma verdadeira surpresa”, explicou Adam Rondinone, líder do projeto, lembrando que é extremamente difícil conseguir essa transformação direta com um único catalisador. O estudo foi publicado na revista científica Chemistry Select, em setembro. Agora, os cientistas trabalham para tornar o processo mais eficiente e economicamente viável.

As descobertas científicas acidentais não acontecem todo dia, mas há alguns casos clássicos de invenções importantes que aconteceram por acaso, embora seja essencial a capacidade de observação e o conhecimento das pessoas envolvidas. A penicilina, por exemplo, primeiro antibiótico sintetizado no mundo e responsável pela salvação de um número incontável de vidas, foi descoberta pelo médico e biólogo escocês Alexander Fleming quando ele saiu de férias e esqueceu algumas placas com culturas de micro-organismos no laboratório. Ao voltar, percebeu que uma cultura de estafilococos estava coberta de bolor, e em volta não havia mais bactérias. Ele então descobriu que um fungo do gênero Penicillium havia sido o responsável pelo efeito bactericida, e daí surgiu a penicilina.

Com o forno de micro-ondas aconteceu algo parecido. Em 1945, o engenheiro norte-americano Percy Spencer passou na frente de um radar ativo e percebeu que a barra de chocolate que levava no bolso havia derretido. O primeiro micro-ondas comercial, construído em 1947, tinha 1,70 m de altura e pesava 340 kg.

O mesmo aconteceu com dezenas de outras descobertas, como, por exemplo, o adoçante artificial, o plástico, o raio-X, o marca-passo – e até o picolé. Veja no site HypeScience algumas das mais curiosas.