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Ciência
01.06.2017 por Bayer Jovens

Como é o seu relógio biológico?

Teste criado por universidade alemã aumenta de três para sete os tipos de indivíduos de acordo com o ritmo de sono e vigília. Quer fazer?

Uma das melhores maneiras de entender nosso ritmo circadiano, ou relógio biológico, é viajar para um lugar com uma grande diferença de fuso horário. Em relação ao Brasil, países como Japão, Austrália e Nova Zelândia podem apresentar variações superiores a 12 horas, e fica fácil imaginar o que esse jet lag representa para os hábitos diários, principalmente na alimentação e no sono. De repente, é noite quando deveria ser dia, e para nosso organismo tudo fica confuso demais, pois rompe-se um ciclo a que estávamos mais do que acostumados.

O relógio biológico e o sono vêm sendo exaustivamente estudado há muitos anos e, em geral, as pessoas eram classificadas em três cronotipos, termo que se refere à disposição natural de cada pessoa de apresentar maior ou menor rendimento em cada período do dia. O primeiro cronotipo é o matutino, que gosta de acordar e dormir cedo, e o segundo é o vespertino, que odeia madrugar, gosta da noite, dorme pouco nos dias úteis e compensa no fim de semana. Isso significa que o matutino tem um ciclo sono-vigília regular e mais eficiente e o vespertino fica no polo oposto, com sono irregular e menos eficiente.

Quem não se enquadra em uma dessas duas categorias é classificado como intermediário, e isso abrange a grande maioria das pessoas, de acordo com alguns estudos que verificaram, entre outros fatores, os horários de pico e queda da temperatura de cada voluntário nos testes. A área da ciência dedicada a esse tema é a cronobiologia, que tenta descobrir se é possível modificar, intencionalmente, o relógio biológico – ou seja, se é possível transformar um matutino em vespertino ou, pelo menos, em um intermediário.

Ainda não uma resposta definitiva, mas cientistas da Universidade Ludwig-Maximilians, na Alemanha, ampliaram a discussão ao criar o Questionário de Cronotipos de Munique, um teste prático que permite saber como você se enquadra em sete tipos diferentes – sim, quatro a mais além dos três admitidos até então – e, assim, descobrir como se compara ao restante das pessoas e como essa característica interfere em sua vida.

O cronobiologista Till Roeneneber, um dos idealizadores do estudo, esteve recentemente no Brasil e define como “jet lag social” o desgaste provocado pelo descompasso entre o relógio biológico, que regula as atividades fisiológicas, e o relógio social, controlado pelos compromissos. Ele lembra que o organismo é controlado e organizado pelo ciclo circadiano, que se baseia nas fases de luz e escuridão de um dia, por isso sempre haverá diferenças entre o que o corpo quer e o que a sociedade moderna exige, em uma conta que nunca fecha.

Segundo o professor, muita gente está tentando nos convencer de que a única solução para compensar essa discrepância seria dormir menos e ficar mais tempo em atividade, o que sempre resultaria em saldo negativo de sono. E ele concorda com isso? De jeito nenhum. Para Till Roeneneber, “você pode se tornar um psicopata se não dormir o bastante”.

Se estiver interessado em fazer o teste, que resultará em um enorme banco de dados para alimentar novos estudos, você pode preencher o questionário em português neste link. Não leva mais do que 10 minutos e o diagnóstico será enviado depois para o seu e-mail.

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