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Saúde e bem-estar
14.06.2017 por Bayer Jovens

Começou o Junho Vermelho

Já pensou em ser um doador de sangue? Não faltam motivos para isso. É bem simples e os resultados são supergratificantes

Se você mora em São Paulo e percebeu que o Memorial da América Latina está iluminado por luzes vermelhas desde o dia 1º de junho, saiba que isso nada tem a ver com política. Trata-se de uma maneira de chamar atenção para o início do Junho Vermelho, uma iniciativa destinada a estimular a doação de sangue, encampada por cidades de vários outros estados. O ponto alto será o Dia Mundial do Doador de Sangue, em 14 de junho.

É uma ótima oportunidade para lembrar a importância da doação de sangue e dos estoques sempre baixos dos hemocentros, como se comprova nas estatísticas da Fundação Pró-Sangue de São Paulo. No dia 2 de junho, por exemplo, apenas os tipos de sangue AB positivo, AB negativo e B negativo tinham estoques estáveis, enquanto o B positivo e o A negativo estavam em situação de alerta e o A positivo, o O positivo e o O negativo se encontravam em estado crítico.

O site informa que, desde a sua criação, em 1984, a fundação já coletou mais de 4,6 milhões de bolsas de sangue. E na mesma página é possível acessar um mapa dos hemocentros de São Paulo e de alguns de outros estados, todos ansiosos por doadores.

Não é preciso muito para explicar a importância do sangue. Basta lembrar que é pela corrente sanguínea que o oxigênio, os nutrientes, os hormônios e outros elementos essenciais chegam a todas as células do corpo. O sangue regula e protege o organismo, e seu volume no corpo humano varia de acordo com o peso e a altura. Em geral, corresponde a 7% do peso corporal. Por exemplo, alguém que pesa 70 quilos tem aproximadamente 4,9 litros de sangue. Se você quiser calcular quanto tem de sangue, entre nesta página da Fundação Pró-Sangue.

Doar sangue é mais simples do que parece. É um potencial doador quem tem entre 16 e 69 anos, pesa pelo menos 50 quilos e está em boas condições de saúde. Existem alguns impedimentos, como hepatite, Aids, doença de Chagas, malária e uso de drogas injetáveis. Também há impedimentos temporários, como gripe, gravidez, amamentação, tatuagem feita nos últimos 12 meses e algumas doenças, que são detectadas quando o candidato à doação preenche o questionário no banco de sangue.

Quem não tem nenhum desses impedimentos pode doar sangue até quatro vezes por ano, se for homem, ou três vezes, se for mulher. O doador se sente recompensado pela certeza de que estará ajudando alguém que precisa muito do seu sangue e, talvez, salvando uma vida. O procedimento é rápido, simples e quase indolor e, na maioria absoluta dos casos, não envolve nenhum tipo de risco.

O sangue que fica nos hemocentros é vital para fazer transfusões em pessoas que sofrem acidentes ou queimaduras, passam por cirurgias ou transplantes ou têm problemas como anemia grave ou hemofilia. O tipo sanguíneo do doador precisa ser compatível com o do receptor, por isso os hospitais precisam ter os diferentes tipos em estoque.

A história das transfusões é longa e rica em episódios marcantes, já que no início não se conhecia nem mesmo a existência de diferentes tipos de sangue, o que só foi descoberto no início do século 20. Consta que as primeiras experiências, ainda no século 17, tiveram resultados desastrosos para o receptor. O mesmo ocorreu com as tentativas de transferir para uma pessoa o sangue de animais. As primeiras transfusões bem sucedidas teriam ocorrido em 1818, feitas pelo médico britânico James Blundell. Mas demorou quase um século até que, em 1907, o cirurgião norte-americano Reuben Ottenberg fizesse a primeira transfusão precedida por testes de compatibilidade, o que abriu caminho para procedimentos cada vez mais seguros. O primeiro banco de sangue de que se tem notícia foi criado em Barcelona, em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, e na década seguinte os hemocentros chegaram ao Brasil.

Portanto, se você quiser fazer parte dessa história, entre no espírito do Junho Vermelho, procure um banco de sangue em sua cidade e se candidate a uma doação. Você receberá uma carteirinha de doador, com a identificação do seu tipo sanguíneo, e de quebra fará um teste para atestar que não é portador, por exemplo, do vírus HIV.