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Brasil que produz: como o país se tornou uma potência agrícola?

Entenda por que nossa agricultura é tão forte: as culturas mais importantes, as exportações, a participação no PIB e o potencial de expansão

21.01.2019 - Por Bayer Jovens

O Brasil é hoje a 9ª maior economia do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 6,6 trilhões em 2017. Já quando falamos sobre o campo, o país é descrito internacionalmente como uma verdadeira potência agrícola. O Brasil ocupa a posição de 2º maior produtor de alimentos do planeta, depois dos Estados Unidos, e com potencial para, em pouco tempo, se tornar o 1º nesse ranking.

Como o agronegócio brasileiro se tornou tão forte? O clima e a localização favoráveis são essenciais para o sucesso da nossa agricultura e pecuária. A esses fatores se alia a incorporação crescente da tecnologia, o que melhorou significativamente a produtividade. Em 2017, depois de dois anos de retração, o PIB brasileiro registrou um aumento de 1,0%, e os analistas destacam que o grande impulsionador desse avanço foi o agronegócio, puxado por mais uma safra recorde. De acordo com o IBGE, sem o que se produziu no campo, o aumento do PIB teria sido de apenas 0,3%.

Mais uma prova do brilho da agricultura brasileira na economia das últimas décadas é o fato de que, em 50 anos, o país deixou de ser um importador de alimentos para se tornar um dos mais importantes produtores e exportadores mundiais. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a produção agrícola nacional ultrapassa 400 itens. Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, café e suco de laranja, assim como de carnes bovina, suína e de aves. Além disso, é o 2º maior exportador de soja e milho. Na última safra, o Brasil bateu o recorde histórico de produção de grãos, com 240 milhões de toneladas.

Na safra 2016/2017, este foi o resultado das principais culturas do Brasil, com a produção obtida (em mil toneladas):

  • Cana de açúcar – 647.000
  • Soja – 113.013
  • Milho – 92.833
  • Mandioca – 18.876
  • Arroz 11.963
  • Trigo – 5.219
  • Feijão – 3.328
  • Café – 3.060
  • Algodão pluma – 1.489

Em relação às exportações, esses foram os totais registrados pelos produtos agrícolas brasileiros em 2016/2017 (em mil toneladas):

  • Soja em grão – 63.000
  • Açúcar – 28.933
  • Milho – 25.500
  • Soja em farelo – 15.900
  • Suco de laranja – 2.315
  • Café – 2.100
  • Algodão – 630

Contudo, mais do que esses totais, o que se destaca é o significativo aumento das exportações do agronegócio brasileiro. Entre 1989 e 2017, o saldo da balança agrícola do país se multiplicou quase por dez e, no ano passado, somou US$ 81,7 bilhões, em uma evolução que fica evidente neste gráfico elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento:

TECNOLOGIA E A EXPANSÃO DA PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA

De acordo com o documento “Visão 2030 – O futuro da agricultura brasileira”, da Embrapa, em 2016 o agronegócio teve uma participação de 23,6% no PIB e foi responsável por 45,9% do valor das exportações, além de dar emprego a 19 milhões de pessoas. O estudo destaca ainda, especialmente, o aumento da produtividade: “Entre 1975 e 2015, a produtividade da mão de obra aumentou 5,4 vezes; a da terra 4,4; e a do capital teve um crescimento de 3,3 vezes”.

Para isso, a incorporação de tecnologias dedicadas à agricultura teve um papel fundamental e, segundo o órgão, foi responsável por 59% do crescimento do valor bruto da produção: “Especificamente no período entre 1995 e 2006, a importância da tecnologia foi ainda maior, o que explica os 68% do aumento do valor da produção”.

Uma pesquisa feita em 2017 pela Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), vinculada ao Ministério da Agricultura, constatou que 67% das propriedades agrícolas do país já utilizam algum tipo de tecnologia na área de gestão do negócio e nas atividades de cultivo e colheita da produção. Segundo a CBAP, a agricultura de precisão é essencial para que os produtores plantem na hora certa e utilizem os insumos na quantidade exata, o que se traduz em aumento da produtividade e redução das perdas. Calcula-se que em 2010 haverá mais de 100 milhões de dispositivos conectados na área da agricultura digital.

Esse novo cenário no campo aumentará a demanda por jovens profissionais, entre os quais engenheiros eletrônicos, desenvolvedores de aplicativo, pesquisadores na área de manipulação genética, especialistas em sustentabilidade e meio ambiente, engenheiros de sistemas para máquinas agrícolas, controllers financeiros e outras profissões. São esses esses especialistas que responderão pelos avanços em melhoramento genético, nanotecnologia, biotecnologia, pesquisa, máquinas e equipamentos inteligentes, big data, internet das coisas e tantas outras inovações que ajudarão a aumentar a produção de alimentos a fim de alimentar uma população em constante crescimento.

Um estudo da ONU prevê que até 2050 será necessário aumentar a produção de alimentos em cerca de 70%, muito acima da capacidade atual de todos os países, em torno de apenas 10%, se mantido o ritmo atual. Será necessário, portanto, intensificar agricultura, e o Brasil terá um papel de destaque na superação desse desafio – ou seja, encontrar soluções sustentáveis para multiplicar a produtividade sem aumentar a área plantada.

Nesse sentido, o Brasil desfruta de uma grande vantagem geográfica: localiza-se nas faixas tropical e subtropical do planeta, praticamente as únicas que permitem a intensificação da agricultura pelos métodos convencionais. Além disso, o país ainda possui extensas áreas que podem ser aproveitadas para o plantio sem atingir matas e florestas. Esses e outros fatores projetam um futuro ainda mais promissor à agricultura brasileira.