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Atração e fuga

As mulheres já foram maioria nos cursos de informática, mas hoje são quase raridade, e não há razões claras para isso

08.06.2018 - Por Bayer Jovens

A foto abaixo, publicada em matéria do site BBC Brasil, mostra um grupo de formandos da primeira turma do curso de ciência da computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP). Quem olhar com atenção os 21 rostos visíveis vai contar seis homens e quinze mulheres, ou seja, quase o triplo de presença feminina.

A imagem é de 1974 e reflete uma situação que já não existe: a presença feminina deixou de ser predominante nas escolas da área e no mercado de trabalho. Ao contrário, tornou-se claramente minoritária, como revelam os números de 2016 do mesmo curso de ciência da computação do IME, que em 2016 registrou a presença de 41 alunos, dos quais apenas seis eram mulheres, o que representa uma participação de apenas 15%, bem diferente dos cerca de 70% que havia 44 anos atrás.

Talento ocultoPrimeira turma de formandos do curso de ciência da computação do IME-USP, em 1974: quinze mulheres e apenas seis homens/Reprodução IME-USP

Além disso, muitas mulheres contribuíram para o desenvolvimento de tecnologias importantes, mas são praticamente desconhecidas em um universo que se tornou cada vez mais masculino. A BBC Brasil lembra, por exemplo, o trabalho de Ada Lovelace, que criou o primeiro algoritmo da história; de Mary Kenneth Keller, que participou do desenvolvimento da linguagem de programação BASIC, e de Dana Ulery, primeira mulher engenheira da NASA, que participou da equipe de criação de algoritmos para a automatização dos sistemas Deep Space Network de rastreamento para a agência espacial norte-americana, entre várias outras.

Hoje, apenas 20% dos profissionais de TI no Brasil são mulheres. Nas grandes empresas do setor, como Microsoft, Facebook, Instagram, LinkedIn e Google, a presença feminina está entre 26% e 35%, o que é muito pouco.

O mais intrigante é que não está claro nem por que havia tantas mulheres interessadas em informática na década de 70, nem por que essa participação se reduziu tanto nos anos seguintes. Os analistas concordam que não há diferenças técnicas relacionadas a gênero entre os profissionais da área. Assim, resta a questão cultural, responsável por detalhes que parecem inofensivos - como achar que computador e videogames são brinquedos de menino - e também pela crença de que “matemática é coisa de homem”.

Essa lógica perversa para as mulheres acaba ganhando espaço nos meios acadêmicos, no mercado de trabalho e até na ficção, em que não se veem personagens nerds e geeks do sexo feminino, a não ser como coadjuvantes, e assim o estereótipo se fortalece. No entanto, muita gente não concorda com isso e trabalha para mudar esse panorama.

Como você viu aqui em Bayer Jovens na matéria “Tecnologia, substantivo feminino”, publicada em maio, também no Brasil já existem vários grupos que se dedicam a estimular a participação mais efetiva das mulheres no mundo da informática e da tecnologia, especialmente no mercado profissional. Confira aqui quem são essas mulheres dispostas a virar o jogo e provar que informática é também um “brinquedo de menina”.

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