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As novas fronteiras da agricultura

O cultivo de alimentos no espaço e sob os oceanos está entre as ideias mais ousadas que a ciência tenta transformar em realidade em um futuro próximo

31.10.2019 - Por Bayer Jovens

As novas fronteiras da agriculturaTrigo cultivado na Estação Espacial Internacional por meio do projeto Advanced Plant Habitat/Reprodução Nasa

Os recursos naturais do nosso planeta são limitados, assim como as áreas que podem ser utilizadas para a agricultura e pecuária, mas a população mundial continua a crescer rapidamente e a necessitar cada vez mais de alimentos. Essa realidade explica por que o conceito de sustentabilidade se tornou tão importante nas últimas décadas e representa o principal desafio global em um futuro próximo, agravado pelas mudanças climáticas e pela ameaça de escassez de água potável e perda de biodiversidade e da fertilidade do solo.

A esperança de novas soluções se concentra na ciência e nas pesquisas que estão sendo feitas nos laboratórios em várias partes do mundo, patrocinadas pelas instituições e empresas que investem na inovação e no futuro. Dois desses exemplos se localizam em ambientes opostos – no espaço sideral e sob os oceanos –, como mostra um artigo publicado no site Can we live better? (Podemos viver melhor?), da Bayer.

As novas fronteiras da agricultura

O primeiro caso envolve experimentos que a Nasa e outras agências vêm desenvolvendo há décadas na Estação Espacial Internacional, para o cultivo de plantas na órbita da Terra. Um dos projetos foi batizado de Veggie – Vegetable Production System, uma unidade de plantio de vegetais destinada a oferecer alimentos frescos aos tripulantes da estação como para a realização de testes fundamentais de biologia espacial, como os da série Advanced Plant Experiments (Apex).

O projeto Veggie se iniciou com o cultivo de uma espécie de alface que pode ser colhida depois de apenas 28 dias. O processo ocorre em um ambiente com iluminação LED e temperatura e umidade controladas, em estufas, sem o uso de terra, e os resultados serão essenciais para a criação de um sistema de cultura regenerativa, para plantio contínuo. Na sequência do Veggie, a Nasa levou para a Estação Espacial Internacional o programa Advanced Plant Habitat, ainda mais avançado, para descobrir quais são os ambientes mais favoráveis para o crescimento de diferentes plantas.

Tão ousados quanto esses projetos espaciais são as pesquisas que envolvem a aquaponia e combinam o cultivo de peixes e de vegetais em um ciclo eficiente, sem uso de solo. Um dos mais avançados é o Tomatofish/Inapro, financiado pelo Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha, cujo objetivo é produzir alimentos sustentáveis, de forma ecológica. Idealizada por cientistas do Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca Interior e vencedora do Prêmio Alemão de Sustentabilidade para Pesquisa, a técnica consegue interconectar a criação de tilápias e o cultivo do tomate, em um sistema fechado de recirculação de água, para mostrar o potencial da agricultura submarina.

Igualmente revolucionário, o projeto Nemos’s Garden explora os benefícios de cultivar plantas debaixo d’água, em biosferas cheias de ar. Mergulhadores cuidam das plantas, que recebem água da condensação que cai das paredes internas das biosferas e dispensam fertilizantes e defensivos. O programa foi iniciado em 2012 e já obteve bons resultados, por requerer pouca energia e pelo seu caráter sustentável.

Por enquanto trata-se apenas de experimentos, com aplicação ainda em pequena escala. Alguns dos projetos deram certo, outros nem tanto, mas todos se destacam pela ousadia e pela decisão de buscar soluções fora da caixa. São ideias arrojadas, que no futuro terão impacto na qualidade de vida de todos nós.

As novas fronteiras da agriculturaUma das biosferas subaquática do projeto Nemos’s Garden, que desenvolve um sistema de cultivo sustentável de baixo custo/Divulgação Nemos’s Garden