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As insuperáveis qualidades do milho

Em matéria de versatilidade não tem concorrente, sem falar do seu valor nutricional e do peso que exerce na economia brasileira

26.02.2019 - Por Bayer Jovens

Poucos alimentos são tão nutritivos, saborosos e versáteis quanto o milho. Cru, cozido, assado ou na forma de pipoca, canjica, farinha e óleo, o cereal está presente em inúmeras receitas doces e salgadas e também em maioneses, molhos, cervejas, rações animais e em uma relação quase interminável de outros tipos de uso. Como se não bastasse, é uma das culuras mais importantes do Brasil e, apesar do grande consumo interno, deve proporcionar uma receita de exportação de 4,5 bilhões de dólares na safra 2018-2019, com a venda de 29 milhões de toneladas.

Tipos de milho existentes no México, país de origem do cereal / Fonte: Clube da Pipoca Tipos de milho existentes no México, país de origem do cereal / Fonte: Clube da Pipoca

Na atual safra, o milho e a soja deverão representar nada menos do que 88% de todos os grãos produzidos no país, com previsão de colheita, respectivamente, de 94 milhões de toneladas e 120 milhões de toneladas. Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) indicam o Brasil como o terceiro maior produtor mundial de milho, depois dos Estados Unidos e da China, e o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos.

No entanto, enquanto os Estados Unidos registraram um aumento de produção de apenas 0,2% em relação à safra anterior e a China viu seu resultado cair 1,2%, o Brasil produziu mais 15,2% do grão de um ano para o outro. Nas exportações, a situação é parecida: as vendas externas brasileiras cresceram 31,8%, enquanto as dos Estados Unidos tiveram um acréscimo de apenas 0,5%.

(dados para gráfico – Fonte: USDA)
Produção mundial de milho (em milhões de t)
País Safra 17-18 Safra 18-19 Variação
Estados Unidos 371,0 371,5 0,2%
China 259,1 256,0 -1,2%
Brasil 82,0 94,5 15,2%
(Fonte: USDA)
(dados para gráfico – Fonte: USDA)
Exportações mundiais de milho (em milhões de t)
País Safra 17-18 Safra 18-19 Variação
Estados Unidos 61,9 62,2 0,5%
Brasil 22,0 29,0 31,8%
Argentina 23,0 28,0 21,7%
Ucrânia 18,5 27,0 45,9%
(Fonte: USDA)

Em relação ao consumo, o Brasil está na quarta posição mundial, com 66 milhões de toneladas, depois dos Estados Unidos (318 milhões de toneladas), da China (240 milhões de toneladas) e da União Europeia (74 milhões de toneladas). O quinto maior consumidor é o México, com previsão de 42 milhões de toneladas em 2018, de acordo com estimativas recentes da Farmnews.

E não é por acaso que o México ocupa essa posição de destaque entre os maiores consumidores mundiais. As referências mais antigas à origem do milho remetem justamente a esse país, embora haja divergência de datas, de acordo com as várias pesquisas já divulgadas. Há trabalhos que sustentam que povos ancestrais já se cultivavam o grão há mais de 9 mil anos, e outros situam sua origem em torno de 7 mil anos atrás, mas de modo geral há um consenso de que os primeiros registros são realmente mexicanos.

Os pesquisadores também concordam que o milho foi a alimentação básica de várias civilizações da América Central e da América do Sul, entre as quais os maias, os astecas e os incas. No Brasil, era um dos principais itens da dieta dos índios, principalmente os guaranis. No período das grandes navegações, entre os séculos 15 e 16, os europeus descobriram o cereal e o levaram para seus países, e de lá a cultura conquistou o resto do mundo, pelas seu alto valor nutritivo e suas características únicas.

Entre outras propriedades, o milho é rico em proteínas, fibras, vitaminas A, B1 e C, sais minerais e antioxidantes, e por isso proporciona vários benefícios à saúde. Diferentemente de outros cereais como trigo e arroz, o milho não é refinado durante o processo de industrialização e conserva sua casca, cujas fibras são importantes para a eliminação das toxinas do organismo. Dessa maneira, milho pode ajudar na prevenção de doenças do coração e do trato digestivo, no controle do diabetes e na proteção aos olhos, além de beneficiar a pele e o sistema imunológico.

E engana-se quem acredita que o milho é sempre do mesmo tipo, formato, sabor e cor amarela que conhecemos no Brasil. Calcula-se que existam aproximadamente 4 mil espécies de millho no mundo, e apenas a Embrapa oferece mais de 470 cultivares, ou seja, espécies melhoradas por meio de alteração ou introdução de uma característica que antes a planta não possuía. Em relação à cor, o milho pode pode ser encontrado nos mais variados tons, do preto ao branco, passando pelo vermelho, laranja, marrom, roxo, rosa e até o azul.

Com tantas qualidades, é fácil entender por que existe até mesmo o Dia Internacional do Milho, criado para estimular o cultivo e o consumo do cereal e celebrado em 24 de abril, quando agricultores de várias partes do mundo promovem festivais de comidas típicas. Além disso, no Brasil existe também o Dia Nacional do Milho, em 24 de maio, instituído em 2015 pela lei federal 13.101. Nada mais justo.