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Sustentabilidade

Ainda se matam baleias

Islândia, Noruega e Japão continuam permitindo a caça a esse belo animal, apesar do repúdio do resto do mundo

13.04.2017 - Por Bayer Jovens

Há pouco mais de um ano o grupo de hackers ativista Anonymous derrubou vários sites na Islândia, entre os quais as páginas oficiais do primeiro-ministro e dos ministérios do Interior e do Meio Ambiente, e os deixou fora do ar por um dia. O motivo: nesse país tão distante, frio, bonito e pouco povoado a caça às baleias ainda é permitida – e praticada. “As baleias não têm voz. Seremos a voz delas. É hora de deixar a Islândia saber que não vamos ficar assistindo enquanto eles levam esse animal à extinção”, afirmou o Anonymous.

Mas, afinal, com pouco mais de 300 mil habitantes e PIB per capita superior a 42 mil dólares, por que esse arquipélago vizinho da Groenlândia ainda permite a caça ao maior animal do mundo, tão belo quanto inofensivo, uma prática condenada praticamente no mundo inteiro? Por razões econômicas é que não é, já que a Islândia não precisa dessa renda, nem por gosto pela carne, pois os próprios islandeses dizem que preferem peixe (uma pesquisa revelou que apenas 1,7% dos locais comem baleia) e pratos com o mamífero são servidos apenas a turistas.

Trata-se, sobretudo, de uma tradição, de um traço cultural, assim como ocorre na Noruega e no Japão, os outros dois únicos países em que a caça à baleia ainda é permitida, o que desrespeita uma moratória mundial decretada em 1986. O Brasil segue essa regra e baniu a caça e os locais onde a carne era processada (as “armações”), que proliferavam de norte a sul da costa do país.

Portanto, Islândia, Noruega e Japão são as exceções à regra internacional e ao consenso de que esses imponentes animais devem ser preservados. O Japão alega que permite a caça apenas para fins científicos, mas no fim de 2015 um navio japonês partiu para a Antártica com o objetivo declarado de matar 333 baleias-anãs, “para descobrir quantas estava vivendo perto dali”, segundo o jornal espanhol El País. No mesmo ano, pescadores islandeses receberam autorização para caçar 229 baleias-anãs e 154 baleias-comuns.

Na Noruega a situação é ainda pior, como revelou o documentário Slaget om kvalen, ou batalha da agonia, divulgado pela televisão daquele país nórdico, com repercussão mundial. Segundo os autores do filme, a Noruega mata mais baleias do que o Japão e a Islândia, somados, e o pior: 90% dos animais abatidos são fêmeas grávidas, porque “gravidez é sinônimo de saúde”. Isso acontece no “país mais feliz do mundo”, como anunciam algumas pesquisas de qualidade de vida, e o mais chocante no documentário é a extrema crueldade dos caçadores.

Em resumo, não há nenhuma justificativa para a caça às baleias, nem mesmo a tradição, a cultura ou pretensas pesquisas científicas. Uma baleia-azul pode chegar a mais de 30 metros de comprimento e 180 toneladas de peso e vive até 110 anos. É um animal majestoso, que amamenta seu filhote e torna o mundo mais rico e mais bonito. Caçada sem piedade durante vários séculos, chegou perto da extinção, até que a maioria dos países decidiu criar normas para protegê-la. Hoje, calcula-se que não existam mais do que 12 mil baleias-azuis em todos os oceanos do planeta. Antes, o número delas era calculado em centenas de milhares.

A moratória internacional contra a caça às baleias foi decretada inicialmente por cinco anos, depois renovada por tempo indeterminado, e ocasionalmente ocorrem reuniões para discutir a questão. Isso significa que a proibição não é imutável, o que requer atenção e explica o que fez o Anonymus na Islândia.

Se você quiser saber como a caça é feita nos dias de hoje, veja essa chocante matéria publicada pela revista Mundo Estranho.