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Inovação no campo

Agricultura hi-tech

Cresce o número e a diversidade de serviços oferecidos pelas AgTechs, as startups dedicadas ao agronegócio no Brasil

11.03.2019 - Por Bayer Jovens

O Brasil já é o segundo maior produtor mundial de alimentos, depois dos Estados Unidos, e em breve atingirá o topo desse ranking, de acordo com todas as previsões. Isso se explica, principalmente, pelo clima favorável e pela extensão das terras que ainda podem ser utilizadas para cultivo, mas parte do vigor da agricultura do país pode ser creditada também à incorporação de tecnologia dedicada ao campo, em geral proporcionada pelas agtechs.

O termo agtech, como costuma acontecer quando se trata de inovação, surgiu no Vale do Silício, nos Estados Unidos, para identificar as startups dedicadas a criar tecnologias aplicadas à agricultura e à pecuária. No Brasil, essas empresas encontraram um campo fértil e não param de crescer, graças a uma oferta de serviços cada vez mais diversificada. De drones e robótica a biotecnologia e agricultura indoor, as especializações são as mais variadas possíveis, sempre com o objetivo de oferecer aos produtores rurais alternativas capazes de melhorar a gestão do negócio, otimizar o planejamento e aumentar a produtividade da forma mais sustentável possível.

Além da diversidade, destaca-se também a rapidez do crescimento das agtechs: em 2006, existiam 75 dessas empresas no Brasil, e hoje já são mais de 300, de acordo com o Censo AgTech Startups Brasil 2018, realizado por meio de uma parceria entre a AgTech Garage e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. A própria AgTech Garage é um exemplo do dinamismo do setor e se define como “um hub de inovação com o objetivo de integrar startups, academia, corporações e outros atores do ecossistema, para desenvolver soluções tecnológicas que aumentem a sustentabilidade e competitividade do agronegócio brasileiro”. Sua sede fica em Piracicaba (SP), não por coincidência, a mesma cidade que abriga a Esalq, referência na formação de especialistas em agricultura.

Das 184 agtechs brasileiras que participaram do censo, o segundo realizado pela AgTech Garage e a Esalq, a maioria (45%) está instalada no estado de São Paulo, seguindo-se Minas Gerais (16%), Paraná (12%), Rio Grande do Sul (8%), Santa Catarina (6%), Goiás (4%), Mato Grosso (2%) e Piauí (1%). “O primeiro censo abriu os olhos de empreendedores, investidores, governo e agências. Os dados foram apresentados em diversos eventos pelo Brasil e o mundo, o que fez com que muitas entidades se organizassem para desenvolver formas de incentivo ao empreendedor agtech”, disse Mateus Mondin, professor da Esalq e um dos coordenadores do estudo.

O primeiro censo foi realizado em 2016 e não houve nenhuma surpresa no aumento de mais de 400% no número de startups agrícolas existentes no Brasil. Se a oferta cresce é porque a demanda assim exige. “Com capacidade de revolucionar cadeias produtivas inteiras, as soluções propostas por essas startups são as mais diversas: inteligência artificial, big data, nanotecnologia, internet das coisas e mais uma infinidade de áreas de conhecimento, todas dedicadas a desenvolver soluções que minimizem os impactos ambientais, sem que para isso seja necessário comprometer a produtividade”, afirma Álvaro Sedlacek, presidente da Desenvolve SP, em artigo publicado no DCI.

Basicamente, o principal valor oferecido por essas empresas é a informação, o conhecimento mais completo de tudo o que acontece na lavoura. Com os produtos e serviços desenvolvidos pelas agtechs, o produtor rural tem condições de acompanhar todo o processo de plantio e colheita e de medir a quantidade ideal de fertilizantes e defensivos que deve usar, assim como melhorar a gestão do negócio e entender as demandas de consumo, entre muitos outros recursos.

A seguir, conheça algumas das startups rurais que vêm se destacando no mercado, com base em uma relação elaborada pelo site Tecnologia no Campo.

  • Horus Aeronaves – Criada em 2014 em Florianópolis, a Horus é especializada no uso de drones para o monitoramento da lavoura, a fim de fazer contagem de plantas, identificar linhas e falhas no plantio e pragas e doenças, medir o índice de vegetação e controlar o manejo de insumos e a saúde da cultura
  • YouAgro – Essa startup é uma espécie de Facebook rural, um aplicativo que conecta produtores, profissionais da área e outros interessados, com a intenção de estimular o networking e abrir oportunidades de negócios e relacionamento. O usuário cria seu perfil e pode participar de grupos, para trocar informações e até mesmo buscar um emprego.
  • BovControl – Esta se dedica à pecuária, nasceu no Brasil e hoje atua em vários países. A empresa criou um aplicativo para smartphone que oferece soluções para o controle de rebanhos leiteiros e de corte e instalou sua sede nos Estados Unidos. A proposta é coletar dados de campo que permitem a análise os resultados em um painel de controle, para apoiar a tomada de decisão.
  • Strider – Oferece soluções para o monitoramento de propriedades e do uso de máquinas e para o controle de pragas e doenças, entre outros serviços. A startup afirma que acompanha mais de 3 mil fazendas no Brasil e nos Estados Unidos, México, Argentina, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Bolívia e Moçambique, com soluções tecnológicas para melhorar a produtividade do produtor rural.
  • Grão Direto – A proposta dessa empresa é ajudar o produtor rural a vender a colheita, ao abrir um canal de comunicação entre a oferta e a demanda, especialmente na área de grãos. Em resumo, é uma plataforma que torna acessível a negociação digital de commodities, por meio de um aplicativo.
  • Agronow – A Agronow promete soluções tecnológicas que permitem ao agricultor o monitoramento da safra a cada três dias, por meio de alertas de colheita e quebra de produção, qualidade da safra e outras variáveis. Por meio de inteligência artificial e recursos como imagens de satélite, a startup diz que é capaz de monitorar propriedades rurais em qualquer lugar do mundo.