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Inovação no campo

A praga que ameaça a banana

Um fungo põe em risco de extinção a fruta mais consumida pelos brasileiros, e a salvação pode vir da biotecnologia

16.07.2019 - Por Bayer Jovens

Nanica, prata, ouro, maçã, d’água, da terra: não faltam bananas no Brasil, de diferentes tipos, nutritivas, saborosas, baratas e fáceis de encontrar. Não por acaso, é a fruta mais consumida no país, e a cada ano são produzidas aqui, aproximadamente, 7 milhões de toneladas, quase tudo para consumo interno. Porém, os pesquisadores acenderam uma luz de alerta: a banana simplesmente pode ser extinta do planeta.

Bananas

A causa desse perigo iminente tem o nome científico de Fusarium oxysporum, um fungo que pode causar o mal-do-Panamá, uma doença de efeito mortal para as bananeiras. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esse fungo pode sobreviver no solo por mais de 20 anos, assim como em hospedeiros intermediários, e atinge diversas variedades da fruta, entre as quais a prata, a maçã e a nanica, conhecida também como Cavendish, a mais consumida de todas. “Se a doença chegar às Américas, pode liquidar as plantações por todo o mundo”, afirma matéria da BBC Brasil.

A contaminação ocorre no solo ou pelo contato das raízes de plantas sadias com plantas doentes, pelo uso de material de plantio infectado ou por água de irrigação, drenagem e inundação. O Fusarium oxysporum vive na terra e impede que a planta se alimente de água e nutrientes. A doença foi identificada pela primeira vez no Panamá, por isso ganhou o nome do país.

A fragilidade das bananeiras se deve, basicamente, ao fato de que a cultura ocorre por meio da produção de clones de uma única planta mãe, no sistema de propagação por muda, e não por semente. As bananas cultivadas por meio dessa técnica se tornam, portanto, geneticamente iguais, o que significa pouca diversidade genética. Se um microorganismo contamina uma bananeira, pode infectar todas as outras.

De acordo com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), o Fusarium oxysporum vem provocando desastres de grandes proporções há muito tempo, desde o final do século 19. Mais tarde, em 1950, o fungo destruiu todas as plantações de bananas do tipo Gros Michel, que, segundo registros da época, eram mais doces e saborosas. Hoje não há como saber se isso é mesmo verdade, porque a variedade já não existe.

A banana nanica sempre se mostrou mais resistente ao Fusarium oxysporum, mas, segundo o CIB, esse fungo evoluiu e se tornou uma ameaça real à essa variedade. “O novo fungo é ainda mais agressivo e foi descoberto na década 1990 no sul da Ásia. Hoje já é encontrado na Austrália e em países do norte da Ásia, como a China. Mais de 10 mil hectares de plantações de banana Cavendish já foram destruídos no país”, afirma matéria publicada no site do CIB. “O problema é que não temos outra variedade de banana que seja imune à doença e que possa substituir a Cavendish”, acrescenta Gert Kema, especialista da Wageningen University and Research Centre, na Holanda, em matéria publicada no site G1.

Uma das maneiras de evitar a extinção da banana e o avanço da doença é o aumento do rigor do controle sanitário nas importações e exportações. No entanto, segundo a Embrapa, a melhor saída para evitar o mal-do-Panamá é a utilização de novas variedades, capazes de sobreviver ao fungo, e é aí que entra a biotecnologia. Os cientistas já trabalham no desenvolvimento dessas espécies, e uma banana cultivada na ilha de Madagascar vem sendo apontada como uma fonte de genes mais resistentes, que poderiam ser transferidos para a Cavendish por cruzamento ou por manipulação genética.

“A biotecnologia pode ajudar a aumentar a variabilidade genética dessas plantas por meio da indução de mutações no cultivo e também pelo desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas. Essas aplicações foram facilitadas pelo sequenciamento dos genomas do fungo, em 2012, e da planta, em 2013. Outra alternativa foi encontrada por pesquisadores da Holanda, que, em uma tentativa de produzir banana sem usar terra, local onde o fungo vive, conseguiram cultivar a planta em estufas, utilizando fibras de coco e lã mineral”, informa o CIB.

É nos laboratórios de biotecnologia, portanto, que pode surgir a salvação dessa fruta com tantas qualidades, cultivada em mais de 130 países e rica em vitaminas, carboidratos, fibras e sais minerais como potássio e magnésio, por isso tão apreciada pelos atletas e por quem se exercita regularmente, para repor energia. Espera-se, portanto, que ocorra com a banana o mesmo que já aconteceu com culturas como soja e milho que, por meio de aprimoramentos genéticos, tornaram-se mais resistentes a pragas, doenças e seca, resultando em sobrevivência e maior produtividade.