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Sustentabilidade

A natureza e o cérebro

Pesquisa espanhola constatou que crescer em áreas verdes tem efeito positivo no desenvolvimento cognitivo das crianças

12.04.2018 - Por Bayer Jovens

Se é nas cidades que os pais buscam os melhores cursos e escolas para seus filhos, é na natureza que o cérebro das crianças se desenvolve melhor. Essa é a conclusão a que chegaram pesquisadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) depois de avaliarem o tecido cerebral de 253 crianças em idade escolar, residentes em duas regiões da Catalunha, na Espanha.

Natureza

O estudo constatou que crianças que crescem em lugares com uma concentração mais elevada de áreas verdes têm volumes maiores de massa branca e cinzenta em regiões do cérebro ligadas à função cognitiva, o que seria benéfico para seu desenvolvimento intelectual. “A biofilia, ou amor pela vida, defende a ideia de que existe uma ligação entre a natureza e a evolução humana e que o meio ambiente é importante para o desenvolvimento do cérebro. Mas não havia evidência disso. Agora há”, disse Payam Dadvand, pesquisador do ISGlobal e principal autor do estudo, em matéria publicada no jornal El País.

Uma pesquisa anterior, realizada por mais de um ano com 2.500 alunos com idades entre 7 e 10 anos e publicada na revista científica Epidemiology, já havia constatado que, independentemente da etnia, da educação recebida em casa e do trabalho dos pais, crianças com mais acesso a áreas verdes e atividades ao ar livre tinham índice melhores de memória e atenção. Mas não se baseava em uma comprovação fisiológica.

Para o estudo atual, Dadvand e sua equipe fizeram um recorte na amostra e selecionaram 253 crianças em idade escolar, de Barcelona e Sant Cugat del Vallès. Os pesquisadores analisaram o grau de exposição dessas crianças à natureza - por meio de imagens de satélite dos locais que elas viveram desde o nascimento até o momento da pesquisa - e aplicaram testes cognitivos para avaliar memória e atenção. Depois, por meio de exames de ressonância magnética tridimensional (IRM), mediram as atividades cerebrais e as alterações detectadas.

“Nas áreas pré-frontal e motora registrou-se um volume maior de massa cinzenta, um número maior de neurônios. Essa descoberta foi muito importante, pois se trata de uma comprovação anatômica dos efeitos que a vida em áreas verdes pode provocar na estrutura cerebral”, explicou ao jornal El País Mónica López, outra pesquisadora do ISGlobal.

Para os pesquisadores, zonas verdes colaboram para o desenvolvimento cerebral das crianças, pois estimulam a criatividade, a curiosidade e a capacidade de assumir riscos. Os estudos fazem parte do projeto Breathe, que investiga o impacto da poluição atmosférica no desenvolvimento cerebral das crianças.