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4 promissores avanços da ciência na luta contra o câncer

Pesquisadores de várias partes do mundo buscam meios de melhorar os tratamentos e aumentar as chances de cura de quem tem a doença. Conheça as pesquisas mais promissoras

05.02.2019 - Por Bayer Jovens

Celebrado em 4 de fevereiro, o Dia Mundial de Combate ao Câncer foi criado para ampliar a conscientização a respeito da doença e incentivar a prevenção, a detecção e o tratamento. E não faltam motivos para isso.

Um relatório da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em setembro do ano passado, indicava que em 2018, no mundo todo, 18 milhões de pessoas seriam diagnosticadas com algum tipo de câncer. Desse total, 9,8 milhões não sobreviveriam à doença.

No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para este ano é de 600 mil novos casos, com maior incidência do câncer de pele do tipo não melanoma (cerca de 165 mil novos casos), seguido pelo câncer de próstata (68 mil) e pelo de mama (59 mil).

Os números assustam. O envelhecimento da população influencia esse quadro, porém, nota-se um aumento da doença entre jovens, de acordo com Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). “A poluição excessiva, a industrialização e a alimentação não saudável contribuem para isso”, disse o médico em entrevista à revista Exame.

Por outro lado, o relatório da Iarc traz também alguns dados animadores, como explicou Liz Almeida, gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca: “A queda nos casos de câncer no pulmão e do colo de útero mostram que estratégias preventivas são eficazes”, explicou. Tanto quanto a prevenção, também são cruciais as novas terapias e os novos meios de abordar a doença. Conheça agora algumas pesquisas inovadoras realizada recentemente, que podem otimizar os tratamentos e aumentar as chances de cura.

  • A terapia que “desativa o freio” do sistema imunológico humano
    A pesquisa dos imunologistas James P. Allison, dos Estados Unidos, e Tasuku Honjo, do Japão, foi premiada em 2018 com o Nobel de Medicina. De acordo com informação do comunicado da Academia Sueca, que concede o prêmio, publicada em matéria da BBC News, as descobertas de Allison e Honjo permitem “aproveitar a habilidade do sistema imunológico para atacar as células cancerígenas”. Os medicamentos desenvolvidos pelos dois pesquisadores inibem a atividade das proteínas CTLA-4 e PD-1, que inibem o sistema imunológico e impedem que as principais células de defesa do corpo, as células T, ataquem as células cancerígenas. Para a Assembleia Nobel do Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, as terapias pela inibição da regulação imune negativa são “um marco” na luta contra o câncer.
  • A terapia que incentiva a produção de células de defesa
    Enquanto Allison e Honjo desenvolveram um medicamento para inibir a atividade de proteínas que freiam a células T (de defesa do corpo), um novo estudo, publicado em janeiro deste ano na revista científica Cell Stem Cell, mostra que cientistas conseguiram fazer com que células-tronco selecionadas por eles evoluíssem para linfócitos T, as células de defesa que ajudam no combate ao câncer. “Uma vez que criamos linhas de células-tronco geneticamente editadas que podem produzir linfócitos T específicos para o tumor, podemos expandir essas linhas de células-tronco indefinidamente”, disse Amélie Montel-Hagen, coautora do estudo, em matéria do Viva Bem, do UOL.
  • A vacina que estimula o sistema imunológico
    Para evitar que as células tumorais se multipliquem descontroladamente no organismo, a vacina usa células tumorais do próprio indivíduo que recebe o tratamento e secreta citocina GM-CSF, que estimula a proliferação e a maturação de diferentes tipos de células de defesa. Desenvolvida no Laboratório Nacional de Biociências, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), a vacina foi testada com sucesso em camundongos – alguns animais tiveram o tumor eliminado completamente. O próximo passo, segundo os pesquisadores, é testar a vacina em amostras provenientes de cirurgias em pacientes humanos, para analisar o desempenho in vitro.
  • O medicamento que combate vários tipos de câncer
    O medicamento inédito, desenvolvido pela Bayer e Loxo Oncology, Inc., trata diversos tipos de câncer com base na genética do tumor, e não em sua localização no corpo. Recentemente aprovado nos Estados Unidos pela Food and Drug Administration (FDA), a agência de vigilância sanitária norte-americana, o medicamento foi bem-sucedido no combate ao câncer em adultos e crianças com diferentes tipos da doença que, atualmente, não têm tratamentos satisfatórios ou progrediram após a terapia. De acordo com matéria publicada no site da Reuters, o medicamento se mostrou eficaz contra uma grande variedade de cânceres causados pela chamada fusão TRK. “Em um ensaio clínico com 122 pacientes, o medicamento reduziu significativamente os tumores em 81%, com 24 tipos diferentes de câncer, incluindo sarcomas de pulmão, pâncreas, mama, tireóide, cólon e tecido mole. Pesquisadores relataram um perfil de efeito colateral extremamente favorável para o medicamento”, informou a reportagem da Reuters.
Publicado em Saúde