Home > Mosaico > Homofobia: bom para quem?
Mosaico
27.06.2016 por Bayer Jovens

Homofobia: bom para quem?

Estudo realizado pelo Banco Mundial testa modelo econômico que quantifica os prejuízos ocasionados pela homofobia

A homofobia é ruim para todo mundo, sem exceção. Não resta a menor dúvida de que é péssima para quem é o alvo e sofre com a discriminação. E, convenhamos, também não é nada, nada elogioso ser considerado homofóbico. O quanto socialmente esse comportamento é prejudicial a gente constata diariamente no noticiário. E agora se tem certeza que é uma conduta péssima na economia também.

“Excluir minorias sexuais não é só uma tragédia humana, mas também um custo econômico que as sociedades impõem para si mesmas.” A declaração é do presidente do Banco Mundial, o sul-coreano Jim Yong Kim, e serviu como ponto de partida para eventos como O custo econômico da homofobia, realizado em Washington DC, nos Estados Unidos, e vários outros congressos sobre o tema mundo afora.

O encontro reuniu especialistas e jornalistas que debateram os resultados preliminares de um estudo sobre o assunto. O trabalho consistiu em desenvolver e testar um modelo econômico para medir quanto as sociedades perdem com a exclusão social de homossexuais e transgêneros.

E não é pouca coisa, como no exemplo da Índia. Recentemente a Suprema Corte do país que deu ao mundo líderes como Buda e Gandhi votou pela criminalização do sexo entre homossexuais. O prejuízo fica entre 0,1% e 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto), ou algo entre US$ 1,25 e US$ 7,7 bilhões.

As estimativas variam bastante porque é difícil quantificar o real tamanho da população de minorias sexuais: "A invisibilidade é uma estratégia de sobrevivência", explicou M.V. Lee Badgett, a professora de economia da Universidade de Massachusetts que apresentou os resultados.

Cores do Arco-Iris: símbolo mundial da causa
Cores do Arco-Iris: símbolo mundial da causa

Este problema - a falta de estatísticas - foi citado como crucial por todos os participantes do encontro. Qing Wu, analista econômico do Google, apresentou formas inusitadas de medir a prevalência da homossexualidade como, por exemplo, os números de busca por material pornográfico gay ou de perguntas inseridas no buscador como "meu marido é gay?".

Na escola e no trabalho

De acordo com o estudo, as consequências econômicas da homofobia aparecem cedo, com o assédio na escola, que diminui o potencial da educação. Mais adiante, o preconceito se dá no ambiente de trabalho, levando a salários baixos e queda de produtividade.

O levantamento mostrou que homens gays dos Estados Unidos e da Europa ganham em média 11% menos do que homens heterossexuais, controladas todas as outras variáveis. Não fica claro até que ponto isso resulta da discriminação direta ou das expectativas mais baixas em que eles mesmos se colocam por causa da sociedade.

Além de correrem mais risco de contrair o vírus HIV, homens gays sofrem de depressão 6 a 12 vezes mais que a população em geral. A porcentagem dos que apresentam pensamentos suicidas é 7 a 14 vezes maior do que a média nos países em desenvolvimento.

A partir desses dados, o Banco Mundial concluiu que o custo econômico da homofobia na área da saúde na Índia ficou entre US$ 712 milhões e US$ 23,1 bilhões só em 2012. Um empréstimo de US$ 90 milhões do Banco para Uganda foi suspenso depois da aprovação de uma lei que torna crime a homossexualidade.

Há outros impactos reais, mas difíceis de mensurar. A receptividade de um país para homossexuais pode afetar seu potencial para o turismo ou para a atração de trabalhadores qualificados, por exemplo. Que a homofobia não traz benefícios para ninguém já era sabido. Agora o que se tem é uma certeza matemática, como dois e dois são quatro.

Leia mais em Mundo Jovem:

A arte de trollar: gíria vem da expressão trolling for suckers, algo como “lançando a isca para os trouxas”

Levantamento da OIT mostra que 20% dos jovens da América Latina não estudam, nem trabalham