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Vida extrema: a capacidade de adaptação dos seres humanos

"Como não tenho local específico para mim, todos os lugares podem potencialmente ser meus”. Jorge Forbes, psiquiatra brasileiro.

09.03.2020 - Por Paulo Valim

"Como não tenho local específico para mim, todos os lugares podem potencialmente ser meus". Jorge Forbes, psiquiatra brasileiro.

A espécie humana é capaz de se adaptar à diversas realidades e superar dificuldades, e diferente de outros seres vivos, que se removidos de seu ambiente natural têm como destino a morte, nós somos capazes de viver e prosperar em lugares que você nem imagina.

E neste texto eu quero convidá-lo a explorar comigo os lugares mais extremos da terra. Preparado?

Vamos começar pela cidade russa, Oymyakon, que tem temperaturas médias de - 46ºC no mês de janeiro. Aqui é o local mais frio populado do planeta, e se ficarmos 6 minutos expostos ao ambiente externo já teremos uma queimadura por frio.

Além disso, por conta das baixas temperaturas, é possível que tenhamos uma crise de amnésia ou percamos a consciência. Por isso, não é aconselhável sair sozinho!

Ufa! Sorte a minha que você está aqui comigo. Já pensou se eu desmaio e não tenho ninguém para me socorrer? Eu morreria congelado, já que se a temperatura interna dos nossos órgãos chegar à 23ºC eles deixam de funcionar.

Mas agora chega de frio! Que tal um lugar mais quentinho?

Então eu vou te dar duas opções: Você pode escolher entre El Aziza, na Líbia, o lugar mais quente da Terra, onde a temperatura máxima já registrada foi de 57.7ºC em setembro de 1992. Ou poderíamos montar a nossa barraca no "Vale da Morte" na Califórnia, onde além do calor extremo encontramos serpentes, escorpiões e leões da montanha…

Tá difícil escolher né?

Mas não se preocupe, tanto no Vale da Morte quanto em El Aziza, ou até mesmo em alguma praia com temperaturas elevadas, esses são alguns problemas que podemos enfrentar ao longo do tempo:

  • Dores de cabeça, tontura, desmaios, exaustão;
  • Morte celular de neurônios, células cardíacas e de outros órgãos;
  • Coágulos no cérebro e problemas no abastecimento sanguíneo dos órgãos.

Então já fica o aviso se você curte uma praia: procure sempre por locais protegidos do sol e mantenha-se hidratado. Além da água, também é importante repor os eletrólitos (sais minerais) que são perdidos junto com o suor. Combinado?

Agora, que tal visitarmos o ponto mais alto do planeta?

E não, o Monte Everest não será o nosso destino! Vamos para o Monte Chimborazo. Seu topo fica a 6.310 metros acima do nível do mar, é mais baixo que o Everest, mas é a montanha mais alta acima do centro da Terra.

A nossa escalada ao topo não será fácil e aqui estão alguns dos problemas que podemos enfrentar por conta das elevadas altitudes:

  • Dores de cabeça, náuseas e lentidão para reagir a estímulos;
  • Dificuldade para respirar e batimento cardíaco acelerado;
  • Em 5.000 metros de altitude há risco de morte, efeitos cognitivos e motores já são perceptíveis;
  • Vasos sanguíneos podem se romper e hematomas podem surgir na pele;
  • Em 9.000 metros (a zona da morte) podem aparecer edemas pulmonares ou cerebrais.

E já que visitamos o ponto mais alto do planeta, vamos encerrar nossa aventura visitando o seu lugar mais profundo: As Fossas Mariana, que tem profundidade de 10.924 metros abaixo do nível do mar.

O grande vilão aqui é a pressão, pois além da pressão atmosférica que todos nós estamos sujeitos temos também que suportar a pressão exercida pela coluna de água, que fica cada vez maior à medida que mergulhamos.

Na real, os únicos humanos que chegaram até lá foram Jacques Piccard e Don Walsh e eles enfrentaram 8 toneladas de pressão só para observar a existência de peixes, camarões e outros organismos aquáticos adaptados à altas pressões.

E aqui vão alguns efeitos que nós vamos sofrer durante a nossa descida:

  • Diminuição do tamanho do pulmão;
  • Aumento da quantidade de oxigênio liberada no corpo durante a subida, podendo ocasionar desmaios;
  • A variação de pressão e do volume dos gases pode gerar hematomas;
  • Rompimento do tímpano;
  • O excesso de nitrogênio (do tanque de ar) pode ocasionar a narcose ou embriaguez pelo nitrogênio: alucinações podem ocorrer.

Ufa, que viagem! E aí, qual "passeio" você gostou mais? Eu preciso confessar que pra mim o último seria o mais top, tanto pelo nível de dificuldade quanto pela vista que deve ser maravilhosa, não só no destino final, mas também durante toda a jornada.

Publicado em Ciência & Inovação
Paulo Valim
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Paulo Valim é professor, químico e fundador do canal Ciência em Ação, que hoje conta com mais de 600 mil inscritos no Youtube. Apaixonado por educação e inovação, tem como missão democratizar o ensino de ciências no Brasil. A opinião expressa nos artigos é de responsabilidade dos colunistas convidados e não correspondem à opinião da Bayer como empresa.