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Um salve às mentes dos principiantes

Desde pequeno, envolvido no agro junto com a família, o tema do trabalho e a relação entre gerações sempre apareceu para mim como algo do cotidiano.

07.07.2020 - Por Diversidade

Tive a sorte de poder, desde criança, estar sempre junto a meu avô e aos meus tios. Isso me ensinou o poder que esses relacionamentos possuem. Foram várias as vezes que passava feriados e férias na fazenda do meu avô em Barra do Garças, apenas eu e ele. Que memória boa. Mal sabia a importância que isso teria na minha jornada.

Hoje, vivemos um momento quase que único em nossa vida, em meio a toda essa pandemia. Tem muita gente chamando esse período de “A grande pausa” em comparação à “A grande depressão” de 1929. E são em momentos de pausa que refletimos sobre a vida. E temos refletido bastante sobre várias coisas nestes últimos meses: futuro do trabalho, importância da colaboração, transformação digital, adaptabilidade, flexibilidade, reinvenção dos mercados e dos profissionais, e por aí vai. O impacto de tudo isso em cada geração e como elas vão trabalhar cada vez mais juntas para fazer frente aos desafios têm me feito refletir bastante nos últimos tempos.

No ano passado, fui convidado para ser sponsor do Grupo Infinite – um dos cinco grupos que integram a estratégia de Inclusão e diversidade da Bayer. O foco do Infinite está em promover um ambiente de aprendizado e conexão entre gerações. Acreditamos que, ao impulsionar essa troca de experiências e diálogo intergeracional, vamos maximizar a inovação e potencializar a perspectiva social, cultural e profissional dos nossos colaboradores. Já vivemos em um cenário em que quatro gerações distintas convivem no mercado trabalho. E extrair o melhor dessas conexões com certeza se tornou um fator de competividade.

Nesse sentido, temos um longo caminho a percorrer. Enquanto sociedade, caminhamos para um futuro em que viveremos mais, com mais saúde, seremos mais ativos e com condições para inclusive estender o nosso tempo útil no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a digitalização dos meios de comunicação, a facilidade em criar empresas digitais e a necessidade de ganho de eficiência em alguns setores tornaram possível que jovens se joguem no mundo do trabalho cada vez mais cedo. Se hoje já temos quatro gerações trabalhando juntas, imaginem em alguns anos. Empresas e profissionais que conseguirem navegar nesse cenário terão uma oportunidade única de alavancar inovação, a partir da bagagem e conhecimento das gerações seniores e pela ótica fresca das gerações mais recentes.

Os tempos desafiadores que vivemos estão nos convidando a sair de nossas zonas de conforto. E zona de conforto não tem geração. A adaptação e a vontade de aprender, fazer, quebrar e reaprender vai ser chave para nos destacarmos no mercado. E acredito que muito da resistência que se tem em trabalhar e dialogar entre as gerações e aproveitar a individualidade de cada uma delas tem a etiqueta da “zona de conforto”.

Tentamos estigmatizar, falamos que “os jovens são ansiosos e não querem nada com nada” ou que os mais seniores “não querem mudar e inovar, não têm energia pra isso”, mas no fim, boa parte da nossa resistência é com o novo, com aquilo que não conhecemos. Esse ego individual que nos bloqueia de aprender com gerações diferentes pode ser “fatal” em um ambiente que não irá perdoar quem vive na zona de conforto.

Vira e mexe eu volto o meu pensamento lá para férias que eu passava com o meu avô. Achava que o fato de termos o mesmo nome explicava a nossa grande conexão. Entretanto, hoje eu percebo que era mais que o nome que me conectava com ele. Eu tinha (e tenho) um orgulho gigantesco da sua história de vida e do que ele tinha conquistado. Aprendia demais toda vez que estava lá. E o que me deixava mais animado era perceber que ele também aprendia comigo. Todo mundo falava que ele era cabeça-dura, que não aceitava as coisas. Porém, eu me lembro bem de uma vez que ele me disse que eu tinha que continuar estudando, porque ele queria aprender ainda muita coisa comigo. Meu avô, depois de toda a sua vida, todo o seu lavor e toda a sua conquista, ainda dizia para um garoto de 15 anos que queria aprender muito com ele. Talvez essa foi a “aula” de que eu precisava para entender que esperto é quem não perde a oportunidade de aprender, independentemente da geração.

Esses dias me deparei com uma frase que resume muito o que eu acredito sobre o que é nos conectar entre as gerações e o que é essa capacidade de realmente aprender com essa conexão. Uma frase que de forma simples fala sobre abertura ao novo, de sair do status quo, fala sobre humildade e sobre aprendizado, comportamentos cada vez mais necessários em um momento em que a curva exponencial da mudança só começou: “ muitas possibilidades na mente do principiante, mas poucas na do perito” (Shynryu Syzuki).

Abdalah Novaes

Abdalah Novaes é líder de Go To Market da divisão agrícola da Bayer no Brasil e sponsor do Pilar Infinite – Integrando Gerações.

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