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Outubro Rosa: o que o câncer de mama me ensinou!

Quando precisei perder alguns pedaços de mim para me encontrar por inteiro

16.10.2019 - Por Diversidade

Olá! Sou Adriana Félix, tenho 36 anos, casada, nascida e criada em Jundiaí interior de SP, tenho um blog chamado Se Arruma Menina há 8 anos e uma história de superação para compartilhar com vocês.

Sabe aquelas coisas que só acontecem com os outros? Aquele tipo de coisa que você comenta: “Ah, aconteceu isso com o amigo de um amigo meu” e que a gente acha que nunca vai acontecer com a gente? Pois é, aconteceu comigo quando, em Junho de 2017, recebi a pior notícia de toda a minha vida: “Adriana, você está com Câncer. É câncer de mama, de um tipo raro e agressivo.

Agora pensa: você aí com sua vida plena, tudo correndo bem, um probleminha aqui e outro ali, mas que se resolve, com saúde para ir e vir, trabalhar, passear, namorar, fazer suas coisas e, de um dia para o outro, recebe um diagnóstico que vira sua vida de ponta cabeça.

Na hora fiquei sem chão! Quando eu iria imaginar que isso aconteceria comigo?

Para vocês terem ideia do tamanho do baque, eu nunca nem tinha feito um autoexame de mama tamanho o achismo de que o câncer era uma realidade muito distante de mim, que eu só ouvia falar de alguns casos distantes, mas que jamais aconteceria comigo: uma mulher jovem de 34 anos de idade, ativa, sem nenhum histórico na família etc etc. Todos os exames apontavam que sou uma pessoa saudável, mas a dura realidade veio me mostrar que estava enganada. Chorei como nunca tinha chorado antes na vida.

Enquanto o médico me explicava tudo que era necessário saber, mil coisas passavam pela na minha cabeça. Nem conseguia escutar direito o que ele me dizia porque só pensava: e agora? E meus sonhos? Minha família? Tem cura? Vou sobreviver? Um turbilhão de pensamentos ruins se instalava na minha cabeça naquele momento.

Olhei para minha mãe, meu marido e minha sogra, que me acompanhavam, e todos estavam em choque com a notícia. Sem reação!

Alguns minutos depois, respirei fundo e falei: "Dr, por favor, só me fala tudo o que eu tenho que fazer para me curar e viver." Naquele momento eu acabava de decidir que lutaria com todas as minhas forças pela minha vida, mesmo sabendo de tudo que eu teria que enfrentar - quimioterapias, tratamentos, cirurgia, mudanças físicas e tudo mais - decidi que não questionaria Deus sobre uma razão para aquilo estar acontecendo e que pensaria apenas que tudo tinha um motivo maior, um aprendizado que eu precisava ter.

E essas respostas não demoraram muito para vir à tona. Um mês após a notícia do diagnóstico, estava eu na oncologia do hospital tomando quimioterapia na veia e refletindo sobre a vida. Ali sentada eu vi meus pais e meu marido do lado de fora do vidro, fazendo companhia pra mim e cuidando de longe, pois era a única coisa que eles podiam fazer nessa situação. Olhei ao meu redor e estava cercada de outros tantos pacientes em suas cadeiras lutando também por suas vidas. E foi aí que comecei a pensar que a vida é muito mais que trabalho, coisas materiais, aparência, correria, falta de tempo para nós e para os que convivem conosco.

Naquela hora eu daria tudo para não estar ali naquela cadeira, mas sim almoçando fora com minha família ou até mesmo no trânsito estressante de SP a caminho de um evento de trabalho, que muitas vezes eu reclamava para ir. Seria a primeira resposta das dúvidas que eu tinha sobre qual aprendizado eu deveria tirar daquela situação. Sim! Afinal, foi isso que me fez enxergar que precisamos dar valor à nossa vida, pois só sabemos o real valor que ela tem quando precisamos lutar por ela.

Foram 12 meses de tratamentos intensos: 16 quimioterapias pesadas, cirurgia, 34 sessões de radioterapia, tudo isso acompanhado de sintomas que não desejo para ninguém. Com 14 dias da primeira sessão meus cabelos já começaram a cair. Fiquei careca. Perdi cílios, sobrancelhas, engordei 14 quilos, fiquei debilitada, sem condições físicas até para, muitas vezes, tomar banho sozinha de tão fraca.

Uma outra Adriana, né?! Bem diferente da blogueira ativa que trabalhava com a sua imagem na internet. Mais uma resposta para o meu questionamento sobre aprendizados. Quantas vezes eu já havia reclamado do meu cabelo, do meu corpo. Aquela situação era para eu dar valor, pois ali eu só queria um cabelo, nem precisava ser o mais bonito, só queria ter cabelo novamente, ter saúde e ficar com a imunidade boa. Não me importava mais em ficar magra.

Precisei perder alguns pedaços de mim para me encontrar por inteira e ver o verdadeiro sentido da vida. E, de quebra, descobri uma Adriana com uma força e fé que eu nem imaginava que existia dentro de mim.

Todas essas situações me fizeram desapegar de coisas pequenas e focar na minha cura. Foi isso que eu fiz! Mesmo careca me arrumava, combinava meus lencinhos com a maquiagem, usava cílios postiços para substituir os meus que se foram e bola para frente. Eu tinha duas escolhas: ou me entregava a situação ou enfrentava de cabeça erguida, maquiada e de lencinho rosa rs. Preferi a segunda opção e hoje, dois anos depois de uma luta árdua, de altos e baixos, estou aqui, VIVA e curada para deixar um alerta às mulheres:

Se Toca Menina! Cuida da sua saúde e da sua vida!

Compartilho minha história com vocês para mostrar e conscientizar que isso pode acontecer com qualquer um! O câncer não escolhe raça, idade, classe social, sexo, nem hora e dia para chegar.

Agendem consultas regulares com seu ginecologista de confiança, façam o autoexame, exames clínicos, exames de imagens. Tudo que tiverem direito. Nada vale mais do que a sua vida. Nada vale mais do que a sua saúde, menina.

O desejo do meu coração é que essa conscientização seja ao longo de todo o ano e não apenas no mês de outubro para que muitas vidas sejam salvas. E para as mulheres que estão passando pelo tratamento, fica aqui um recado: aguentem firme e tenham fé! Mantenham o foco na cura e esqueçam os questionamentos. Vocês são lindas guerreiras e vencedoras!

Um beijo!

Adriana Felix

Adriana Félix é autora do Blog Se Arruma Menina há 8 anos onde fala sobre beleza, moda e maquiagem! Em 2017 ao ser diagnosticada com câncer de mama decidiu compartilhar sua história de luta e superação nas redes sociais afim de promover a conscientização das mulheres sobre a prevenção do câncer de mama e além disso, ajudar as mulheres a resgatarem sua autoestima durante e pós o tratamento e transmitir diariamente uma mensagem de superação e fé! Foi a partir daí que percebeu que suas postagens e dicas tinham um propósito: incentivar as mulheres a se arrumarem de dentro para fora e verem que são mais fortes que qualquer adversidade! Sigam @blogsearrumamenina