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O conflito (positivo) entre as gerações no campo

Garantir que os herdeiros se preparem para assumir as responsabilidades é a chave.

20.08.2019 - Por Mundo Agro

Que a sociedade está se transformando e novos atores passando a fazer parte do protagonismo social, econômico e institucional não há dúvidas. Em grande medida isso é fruto da utilização maciça de novas tecnologias. A forma como nos relacionamos, compramos, movimentamos e pensamos está conectada, agora, ao uso sistemático de dados. A inovação passou a ser entendida como o caminho e não mais o fim.

Mas além destas transformações, existe outra que tem um cunho demográfico bastante intenso: a população está vivendo mais. Isso traz uma série de desafios para a sociedade, empresas e governo. Mas como esta mudança demográfica, entendida aqui como conflito geracional, pode atingir o agronegócio e as empresas? Neste artigo iremos focar na sucessão familiar, tema que conversa com as transformações citadas logo acima.

Assim como toda empresa, os produtores rurais precisam preparar sua “organização” para o futuro: isso significa discutir e planejar as estratégias corporativas e de negócio de médio/longo prazo, mas também um processo de sucessão da liderança. Este processo deve ser planejado com bastante antecedência, para garantir a preparação técnica e funcional dos filhos, a suavidade na transição e minimizar os impactos para a família, propriedade, clientes e funcionários.

Garantir que os herdeiros se preparem para assumir as responsabilidades é a chave. Processo de autoconhecimento vocacional é o primeiro passo para garantir que a sucessão seja algo que o filho quer como meta de vida e trabalho. Entendido isso, a capacitação técnica (seja em competências mais ligadas à agronomia, mas também a práticas de gestão e inovação e liderança de pessoas) é o passo mais demorado.

É importante também garantir a abertura dos pais e avós (que lideraram a organização ao longo do tempo), para que estejam confortáveis com a “passagem do bastão” e, em consequência disso, ao novo jeito de conduzir a propriedade. Neste ponto, é inevitável a inclusão de novos mindsets, o que demanda inclusive, a quebra de eventuais vieses-inconscientes e entender/respeitar o novo papel (protagonista) da tecnologia, da digitalização, do papel da mulher no campo, do impacto social e sustentável das fazendas na sociedade etc.

Os desafios da sucessão familiar são inúmeros, mas em grande medida passam pelo planejamento e aceitação da nova forma de gerir a propriedade. Dessa forma, o campo se prepara não somente para o hoje, mas também para o amanhã!

Bruno Abreu

Bruno Abreu - Gerente Regional de Compras na Bayer, Líder do pilar Inclusão & Diversidade Gerações e apaixonado por música sertaneja.