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Sustentabilidade

Não troque de celular

Sabe quando chega aquele momento em que a bateria do seu celular já não dura o tanto quanto antes? Quando você começa a pesquisar qual aparelho novo você vai comprar?

12.02.2019 - Por Mila e Emilio

Talvez a melhor alternativa seja trocar a bateria, o que além de te ajudar a economizar uma grana poderá salvar o planeta.

Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade McMaster no Journal of Cleaner Production analisou o impacto de carbono de toda a indústria de informação e comunicação, que inclui PCs, laptops, monitores, smartphones e servidores. Segundo eles, mesmo vivendo em um mundo em que as grandes torres beges (eu sei que você é jovem, mas os computadores já foram assim) estão sendo substituídas por minúsculos telefones (as vezes não tão minúsculos assim), temos aumentado o impacto ambiental global que a tecnologia causa. Em 2007, essa indústria representava apenas 1% da pegada de carbono da humanidade, esse valor já triplicou em 2018 e pode ultrapassar 14% até 2040. Isso representa metade do impacto de carbono de todo o setor de transportes.

Os smartphones são um problema a parte. Com um ciclo de vida médio de dois anos, eles são mais ou menos descartáveis. O problema é que a construção de um novo smartphone - e, especificamente, a mineração de materiais raros dentro deles - representa 85% a 95% do total de emissões de CO2 do dispositivo. Isso significa que comprar um novo telefone consome tanta energia quanto recarregar e operar um smartphone por uma década inteira.

No entanto, mesmo que as pessoas estejam comprando celulares com menos frequência, as empresas de eletrônicos estão tentando compensar os lucros perdidos com a venda de aparelhos maiores e mais sofisticados. Os pesquisadores descobriram que smartphones com telas maiores têm uma pegada de carbono proporcionalmente maior do que seus ancestrais menores. A produção dos iPhone 6s, por exemplo, geraram 57% mais CO2 do que o iPhone 4s. Uma maneira eficiente de diminuir esse impacto seria reciclagem dos aparelhos. Apesar de as grandes empresas possuírem programas nesse sentido apenas 1% dos smartphones são reciclados. E olha que nem estamos falando das fontes e cabos que vem com os aparelhos. Você tem uma gaveta cheia de cabos aí na sua casa não tem?

Um segundo problema, amplificado pelo uso de smartphones, está ligado ao uso de servidores e data centers, ou seja, uso da internet, que representam 45% das emissões da indústria de comunicação e tecnologia. Todas as pesquisas do Google, todas as atualizações do Facebook, tudo que postamos requer um computador em algum lugar para organizar e armazenar essas informações, essa é a famosa nuvem. Os potencializam esse impacto, reforçando a necessidade desses servidores funcionarem 24/7. Além disso, um ciclo é criado, mais telefones geram mais informações, exigindo mais servidores os quais nos levam a comprar telefones capazes de executar aplicativos ainda melhores, exigindo mais servidores.

Os pesquisadores apontam ainda que foram conservadores em sua análise uma vez que novos dispositivos habilitados para internet, como dispositivos vestíveis (relógios e roupas), eletrodomésticos (geladeira inteligente) e até carros, caminhões e aviões, não foram considerados.

Mas como diminuir esse problema?

A primeira sugestão é aumentar a vida útil dos aparelhos. Manter um smartphone por até três anos, em vez de dois, pode reduzir drasticamente sua pegada de carbono, simplesmente porque ninguém precisa extrair os materiais raros para um telefone que você já possui. Ou ainda arrumar o que não está funcionando no seu celular antigo, trocando a bateria ou a tela por exemplo. O segundo passo fundamental é diminuir o impacto dos servidores. Google, Facebook e Apple prometeram mudar suas operações para energia 100% renovável nos próximos anos.

No entanto, diminuir o impacto causado pela tecnologia está além do que qualquer designer, empresa ou até mesmo um regulador do governo fazer. Nós, como consumidores, temos mais do que nunca motivos para pensar se vale a pena financeiramente e ambientalmente investir na próxima maravilha tecnológica lançada. Precisamos consumir menos e aumentar a nossa preocupação com a saúde do ambiente.