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Infodemia em tempos de pandemia: o que é verdade?

Todos nós temos a responsabilidade de desacelerar a disseminação do vírus que causa a covid-19.

02.07.2020 - Por Paulo Valim

Todos nós temos a responsabilidade de desacelerar a disseminação do vírus que causa a covid-19 e, assim como eu, você já deve ter se informado muito sobre essa pandemia e está um pouco cansado mentalmente de consumir informações nos portais de notícias e redes sociais. Estou certo?

Além de uma pandemia causada por um vírus, estamos vivendo uma pandemia de informações. O tempo todo somos bombardeados com notícias, dados, rumores e notícias falsas. E com isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que vivemos uma infodemia (pandemia de informações).

A infodemia sobre a covid-19 pode ser tão perigosa quanto o próprio vírus, principalmente se pensarmos na disseminação de fake news e teorias da conspiração. A preservação da nossa saúde e daqueles que amamos depende de termos acesso à informações corretas.

No meio desse mar de mensagens que chegam até nós, em quais devemos acreditar? Como saber o que é verdade? E como preservar a nossa saúde mental e não ficar desinformado? Por um certo tempo, eu fiquei com essas dúvidas na minha cabeça e cheguei a algumas conclusões que vou compartilhar com vocês ao longo desta nossa conversa.

A primeira grande dica, que eu sempre falo para os meus alunos, é: busque canais confiáveis de informação! Quer aprender mais sobre os métodos de prevenção contra a covid-19 e outras doenças? Acesse sites como o da Organização Mundial da Saúde, ou dos órgãos de saúde responsáveis na esfera federal, estadual ou municipal. Ou converse com um profissional da saúde. Essas são fontes bem mais confiáveis do que aquela mensagem que você recebeu no seu celular e que nem fonte das informações cita, OK?

Fique atento para que você ou seus conhecidos não acreditem em medidas preventivas que não funcionam, medicamentos falsos ou até mesmo que não existem. Tomar chá com limão pode até ser gostoso, mas não vai deixar você imune ao vírus. E a receita de álcool em gel caseiro não funciona, OK? Mitos e fatos exagerados não contribuem para o combate à pandemia.

As redes sociais, portais de notícias e de busca online estão ainda mais preocupados com a checagem de fatos. O Google, por exemplo, está constantemente removendo informações falsas das suas plataformas. O Twitter verifica quais as contas são fontes confiáveis de informação sobre a covid-19 e monitora as conversas por meio de palavras-chave associadas à pandemia, para que apenas informações corretas estejam disponíveis.

A OMS, para ajudar a combater as informações falsas, está nas redes sociais com o objetivo de disseminar informações corretas. A Nações Unidas criou um programa específico para a checagem de fatos sobre a pandemia que estamos enfrentando.

Além de estarmos atentos para saber se as informações que estamos consumindo são corretas, é importante cuidarmos com a quantidade de tempo que dedicamos à busca por notícias. Cada vez que você acessa uma rede social, notícias sobre a pandemia aparecem, e é muito fácil você ir de um conteúdo para o outro, e quando se der conta, já vai ter gasto alguns bons minutos. E eu sei que você vai cair na tentação de dar uma olhadinha nos comentários. Eu fazia isso, mas agora estou controlando melhor o meu impulso de navegar sem rumo pelo mar de informações.

Esse navegar sem rumo me deixava ansioso, já que eu lia sobre pessoas que estavam enfrentando a doença ou que infelizmente morreram por causa da covid-19. Ou então lia uma nova descoberta sobre o vírus e que poucos dias depois já era descartada. E uma vez ansioso, eu tinha dificuldades para me concentrar nas minhas atividades diárias, dentre elas a de preparar e gravar novos conteúdos para os meus alunos. Entretanto, parar de me informar completamente não era uma opção. Então, decidi que leria notícias apenas no início do dia, por aproximadamente meia hora, e isso tem funcionado bem.

Agora quero retomar a nossa discussão sobre fake News, para que você entenda por que elas se espalham com tanto sucesso. As pessoas de modo geral procuram por explicações mais simples de compreender, e aí eu pergunto: que tipo de conteúdo é mais rápido e fácil de ser consumido? Um artigo com recomendações da OMS ou uma mensagem recebida no seu celular? A segunda opção, concorda? O problema, como eu já comentei, é que as chances de que essa mensagem contenha informações incorretas é grande.

Lembra quando tivemos os casos de zika vírus? Nessa época, vivemos uma pequena amostra do que está acontecendo hoje, e a OMS adotou uma estratégia para combater as informações falsas. Infelizmente, o efeito das medidas adotadas foi uma queda da confiança nas informações publicadas pela instituição.

Além da pandemia de covid-19, precisamos combater a pandemia de informações incorretas, e para isso você pode:

  1. Ter um olhar crítico sobre as informações que estão nas redes sociais.
  2. Não deixar que conhecidos espalhem informações falsas (oriente os seus conhecidos).
  3. Denuncie informações falsas nas redes sociais.
  4. Tem dúvidas? Gaste um tempo para verificar se a informação é verdadeira antes de compartilhar.
  5. Compartilhe informações cientificamente corretas nas suas redes sociais.

Com essas poucas e simples medidas, você e a sua rede de contatos estarão protegidos da infodemia. Além disso, lembre-se de respirar, manter a calma, usar máscara quando sair e sempre higienizar bem as mãos.

Paulo Valim
Paulo Valim

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Paulo Valim é professor, químico e fundador do canal Ciência em Ação, que hoje conta com mais de 600 mil inscritos no Youtube. Apaixonado por educação e inovação, tem como missão democratizar o ensino de ciências no Brasil. A opinião expressa nos artigos é de responsabilidade dos colunistas convidados e não correspondem à opinião da Bayer como empresa.