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Humanos máquinas: sonho ou realidade?

Você sabe quando a primeira prótese ortopédica surgiu? Essa é uma pergunta difícil de responder!

19.01.2020 - Por Paulo Valim

Você sabe quando a primeira prótese ortopédica surgiu? Essa é uma pergunta difícil de responder! Mas o primeiro registro escrito sobre a existência e uso de próteses data de 1800 A.C. na Índia antiga. Um poema do livro mais antigo da cultura Hindu, Rig Veda, menciona a história de uma rainha guerreira que perdeu uma perna em batalha e passou a usar uma prótese de ferro para poder continuar lutando.

Desde então a tecnologia utilizada para a produção de próteses evoluiu muito. A madeira, bronze e ferro utilizados na fabricação das próteses foi substituída pela fibra de carbono. Material este que é mais leve e possibilita maior mobilidade aos usuários. As próteses modernas estão cada vez melhores e mais personalizadas. Atletas brasileiros, como a nadadora paralímpica Camille Rodrigues, tem uma prótese específica para dança e já participou de competições na área.

As próteses existem com o objetivo de suprir a falta de um ou mais membros. Mas e se você, uma pessoa saudável e com todos os seus membros decidisse modificar seu corpo com próteses ou outros dispositivos para melhorar seu desempenho nos esportes? Ou então implantar um chip no seu cérebro para melhorar sua memória, aumentar sua velocidade de leitura? Eu escolheria esses dois últimos. Ler mais rápido e melhorar minha memória me ajudariam muito no meu trabalho.

Elon Musk defende que um dia será comum termos estruturas e tecnologias exógenas compondo nossos corpos. Em um futuro próximo teremos a fusão entre humanos e máquinas na era da inteligência artificial, acredita o bilionário da tecnologia.

Ray Kurzweil é diretor de engenharia do Google e futurista. Ele acredita que humanos serão dominados por máquinas quando elas tiverem emoções e personalidade e defende que isso acontecerá em 2029. Ele concorda com Musk ao afirmar que nossos cérebros um dia serão conectados diretamente à internet e poderemos fazer download de habilidades e conhecimentos. E isso será possível pela plasticidade dos nossos neurônios. A neuroplasticidade permite os neurônios façam novas conexões e reconfigurem sua rede quando recebem novos estímulos na forma de informações ou até mesmo traumas.

Se você está se questionando se isso é realmente possível saiba que cientistas das Universidades de Case Western e Chicago criaram uma prótese que permite a transmissão da sensação de tato para dois pacientes com a mão amputada. Os pesquisadores foram capazes de recriar com impulsos elétricos a maneira como o sistema nervoso humano capta e interpreta a sensação tátil. Os pacientes que participaram da pesquisa resgataram a capacidade de acariciar pessoas, apertar mãos e conduzir objetos. Ou seja, já conseguimos manipular as funções cerebrais!

Além desses avanços com próteses já houve a implantação de um chip no cérebro de um jovem tetraplégico que conseguiu recuperar a mobilidade da mão e dedos. Isso já foi um grande avanço, mas muita pesquisa é necessária para entender melhor como os padrões de estímulo são reconhecidos para tornar os movimentos dos pacientes cada vez melhores. Esses são os primeiros passos para a fusão de sistemas biológicos e artificiais.

Lembra que lá em cima eu te perguntei se um dia teremos um humano máquina? Bom, já existe um homem biônico! E o nome dele é Hugh He. Ele perdeu as pernas há mais de duas décadas. No lugar dos membros naturais ele apresenta próteses que são movidas por 12 sensores que estão conectadas a 3 computadores.

Quais serão os próximos passos para que os humanos máquinas sejam cada vez mais comuns? As tecnologias de Inteligência Artificial não param de avançar. E caminham junto com os avanços da biotecnologia. No futuro poderemos vincular nossa mente a algum dispositivo de inteligência artificial, melhorando nosso aprendizado, poderemos transferir dados para nosso cérebro, superar dificuldades causadas por doenças ou síndromes neurológicas ou apenas acessar nosso e-mail mentalmente.

Você está preparado para isso?

Paulo Valim
Paulo Valim

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Paulo Valim é professor, químico e fundador do canal Ciência em Ação, que hoje conta com mais de 600 mil inscritos no Youtube. Apaixonado por educação e inovação, tem como missão democratizar o ensino de ciências no Brasil. A opinião expressa nos artigos é de responsabilidade dos colunistas convidados e não correspondem à opinião da Bayer como empresa.