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Exames de sangue diagnosticando cânceres

Em breve, exames de sangue poderão ser importantes ferramentas para o diagnóstico de cânceres precoces

04.10.2018 - Por Paulo Jubilut

Em 2018, uma empresa californiana investiu mais de 1 bilhão de reais em biotecnologia, para que nos próximos anos pequenos tumores sejam rapidamente identificados, aumentando a possibilidade de cura e remissão do paciente.

Exames de sangue que diagnosticam cânceres: uma promessa para os próximos anos

Só quem tem (ou já teve) uma pessoa próxima com câncer, sabe o quanto essa situação é complicada. Entre a descoberta, a remissão e a cura, são longos anos de tratamento. Hoje, no Brasil, a principal ferramenta de detecção precoce da doença é feita através da prevenção, com o desenvolvimento de programas e eventos que contam com ações educativas e informativas destinadas à toda a população brasileira.

A quimioterapia é um dos métodos mais comuns de tratamento de câncer. Ela consiste na utilização de medicamentos com o objetivo de destruir ou bloquear o crescimento de células cancerígenas. O tratamento é eficaz mas acaba fragilizando o organismo do paciente.

Apesar de parecer bem-sucedido na teoria, na prática as coisas não acontecem sempre dessa forma. Pacientes que realizam exames periódicos (ou até mesmo tratamentos) pela rede pública de saúde têm que enfrentar uma longa espera. Na rede privada, a situação pode até ser facilitada, mas não é muito diferente, já que o paciente encara a burocracia de conseguir a autorização do convênio para a realização e cobertura de procedimentos. Isso quer dizer que a principal arma de detecção do câncer nem sempre funciona...

Este ano, pesquisadores desenvolveram um novo exame pode solucionar uma grande parte desses problemas, ao identificar cânceres em estágios iniciais. Chamado de CancerSEEK, o exame busca compostos que podem ser considerados sinais precoces do câncer, no sangue. Estes compostos incluem 16 “genes que controlam” a doença, ou seja, que estão associados ao câncer, e 8 proteínas.

Em um estudo apresentado no início do mês de junho do ano corrente, pesquisadores aplicaram o exame de sangue em 878 pessoas que foram recentemente diagnosticadas com cânceres (em diferentes estágios) e em 749 pessoas que não tinham câncer. Os resultados mais eficazes foram obtidos em cânceres de ovário, com 90% de precisão nos diagnósticos. Coincidentemente, em 70% das mulheres que são diagnosticadas com câncer de ovário, a doença já se encontra em estágio avançado.

Dados do Instituto do Câncer do Estado São Paulo, demonstraram que em cada 10 mulheres que chegam no hospital com câncer de ovário, 7 delas apresentam uma forma avançada da doença. Apesar de não ser a forma de câncer mais frequente entre as mulheres, é a mais agressiva, apresentando menores chances de cura.

Os resultados também foram promissores em outros tipos de cânceres: pancreático (80% de precisão), cânceres hepatobiliares (do fígado, do duto biliar ou da vesícula biliar), linfomas, mielomas múltiplos (câncer dos glóbulos brancos) e colorretal com grande precisão (todos com precisão acima de 73%). Através do exame de sangue, também foram detectados cânceres de pulmão, esôfago, pescoço e crânio, com precisão de 50 a 60%.

Os resultados parecem bastante promissores e deixam a comunidade científica esperançosa. Hoje, o diagnóstico do câncer só é realizado a partir da queixa de um paciente de algo que não está certo. A intenção dos pesquisadores é fazer com que o câncer seja identificado em seus estágios iniciais, antes mesmo do paciente sentir algum sintoma e/ou receber o diagnóstico da doença.

Os estudos têm aproximadamente 5 anos pela frente para a realização de testes com 10 mil pessoas, e se tudo der certo, os exames de sangue são colocados à disposição da população. É importante ressaltar que esse diagnóstico precoce nem sempre representa uma maior longevidade, ainda que seja um critério fundamental para um tratamento efeito. Ainda assim, eles representam uma revolução no método de investigação e tratamento de cânceres.

Fontes: Asco University, Live Science, Science.

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