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É tudo sobre propósito

Ir ao Youth Ag Summit me proporcionou experiências incríveis

27.11.2019 - Por Mundo Agro

Você já pensou no seu propósito de vida? Quando paramos para pensar nisso, às vezes as pessoas percebem que ainda não têm uma resposta muito clara, nem um plano traçado. Mas também existem aqueles que responderiam que sim, que têm suas metas em mente e o planejamento para chegar até elas. E aí que me encaixo mais. Tenho meu propósito, planos e consigo me enxergar na posição que quero estar no futuro.

Criado em uma fazenda no interior do Mato Grosso do Sul, sempre aprendi com o meu pai o valor e a importância de produzir comida para ajudar a alimentar o mundo. Mais tarde na minha vida, em busca de mudar um pouco do que já estava “traçado” para mim, resolvi me mudar para o Rio de Janeiro para cursar Administração e, assim, dar o primeiro passo para ser cada vez mais independente dos meus pais. Nunca quis depender deles, sou muito grato por tudo que construíram para me criarem da melhor maneira que podiam, admiro muito o trabalho da minha família e o esforço na fazenda, mas sempre quis construir algo meu, novo, do zero.

Quando mudei para o Rio comecei a me questionar sobre o meu propósito no mundo e qual legado eu gostaria de deixar. Não me lembro exatamente onde ou quando aconteceu, mas cheguei à conclusão de que meu propósito, no final das contas, estava muito ligado com a minha história, com as minhas raízes familiares. Ou seja: produzir comida para contribuir na alimentação das pessoas que vivem em nosso planeta.

Comecei então a pesquisar sobre as novas tecnologias no agronegócio e maneiras mais sustentáveis de produzir, até que me deparei com fazendas verticais em ambiente controlado. De primeira estranhei, mas não consegui parar de pensar sobre o assunto. Ter a oportunidade de crescer plantas dentro das cidades, simulando um ambiente perfeito para elas se desenvolverem, usando 90% menos água na produção e conseguir colher de maneira muito mais eficiente do que no campo? Quem não ficaria com isso em mente, não é mesmo?!

Foi assim que comecei a estruturar a ideia de um projeto para construir uma fazenda urbana no Rio de Janeiro. Na mesma época que decidi iniciá-lo, abriram as inscrições para o Youth Ag Summit, fórum realizado pela Bayer para promover ideias de jovens que tenham soluções para “alimentar um mundo com fome”, e resolvi participar.

No meio tempo, planejei muito sobre a melhor maneira de conseguir executar o projeto que tinha em mente. Trabalhei um tempo na fazenda da minha família e até ingressei em um estágio no mercado financeiro, o que infelizmente me deixou desfocado em relação ao meu projeto. Felizmente fui um dos selecionados para participar do Youth Ag Summit porque isso fez com que eu pudesse reacender a chama do meu propósito.

Fui ao evento sem saber o que esperar e voltei com a mente mais clara do que nunca. A conferência em si foi sensacional. As palestras, os workshops, a visita ao grupo SLC, tudo isso contribuiu muito para meu desenvolvimento em termos de liderança, de aprender sobre sustentabilidade, de aprender como eu, mesmo sendo jovem, consigo fazer a diferença no mundo, mas se tem algo de mais importante que tirei de lá, isto se resume em uma palavra: conexões. No YAS pude conhecer mais de 100 pessoas em 3 dias, criei laços próximos com muitas delas e criei amizades com algumas pessoas que sei que vão durar por muito tempo. Criamos e colaboramos juntos, procuramos ajudar cada um em seu projeto e procuramos juntos soluções para um mundo mais sustentável.

Cada jovem tendo seu projeto próprio e inovador, e o fato de eu conhecê-los e poder trabalhar junto, foi uma experiência que mudou a minha perspectiva sobre onde quero chegar e como farei o mesmo.

Após o evento algumas pessoas que conheci foram para o Rio e lá pude até mostrar pra eles um pouco da cidade a qual tanto amo.

Enfim, há semana eu me despedi de pessoas com as quais criei laços muito importantes e que espero levar para vida, entretanto - observando agora - tenho a convicção de que não foi uma real despedida, talvez apenas um "até logo".

Rafael Dias Riedel, 19 anos
Estudante de administração da PUC-Rio