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Ciência & Inovação

Cardiologia renovada

Um curativo de células-tronco promete “consertar” corações infartados. Por mais que a manchete pareça surreal, acredite: isso é verdade!

20.06.2018 - Por Bayer Jovens

Pesquisadores do Reino Unido utilizaram células-tronco para desenvolver um curativo capaz de “remendar” o tecido cardíaco lesionado, sem a necessidade de um transplante.

Nosso corpo tem uma capacidade incrível de cura e regeneração! Um exemplo disso? As lesões causadas por pequenos acidentes logo se fecham e cicatrizam. Contamos com o auxílio do nosso sistema imunológico, que rapidamente entra em ação, impedindo que o nosso corpo fique exposto a microrganismos que possam causar algum mal. Infelizmente esse “poder de cura” não está presente em todos os nossos órgãos. Um deles, bastante vital, o coração, infelizmente não tem um poder rápido e grande de regeneração, principalmente após um ataque cardíaco. Popularmente conhecido como infarto, um ataque cardíaco acontece quando um coágulo sanguíneo se forma em uma das artérias coronárias, vasos sanguíneos que levam ao coração. Este coágulo impede o fornecimento de sangue às células, causando dores intensas no peito, que irradiam para o pescoço, maxilar, orelhas, braços e punhos.

A falta de fornecimento sanguíneo, se durar aproximadamente 1 hora, faz com que bilhões de células de músculo cardíaco possam ser perdidas de maneira irreversível. A grande perda celular causada por um ataque cardíaco pode ter consequências graves, mesmo em indivíduos que se recuperaram bem do quadro clínico. Algumas das consequências mais observadas são: insuficiência cardíaca congestiva (quando o coração não bombeia sangue da maneira como deveria), ou o acúmulo de tecido cicatricial no local, que pode ser fatal. Quando as células mortas são substituídas por camadas de tecido cicatrizado, partes do coração param de funcionar. A solução infelizmente não é simples: um transplante de coração.

CoraçãoO transplante de coração é a única alternativa para muitas das pessoas que sobreviveram a um ataque cardíaco.

Para que um coração esteja em boas condições para um transplante, ele precisa ter vindo de uma pessoa que era saudável antes de morrer (geralmente os corações aptos para transplantes vêm de doadores que eram jovens e saudáveis e morreram em acidentes, ou em alguma causa que não afetou o coração, e acredite, doadores assim demoram a aparecer). Isso faz com que pacientes à espera de um novo coração possam aguardar por muito tempo, às vezes até mesmo acabar morrendo na fila. Atualmente, o Brasil tem uma fila de 32 mil pessoas que aguardam por um transplante de coração. A cirurgia é delicada e deve ser realizada em no máximo 4 horas, depois que um doador aparece. É uma luta contra o tempo!

Buscando reparar o coração de uma maneira inovadora, uma equipe de pesquisadores do Reino Unido conseguiu desenvolver um método capaz de “remendar” um coração infartado, sem a necessidade de transplante. O remendo é feito a partir de um tecido que de tão funcional, bate e se contrai! O resultado foi possível graças a um “curativo” de 2,5 centímetros, feito com células-tronco. Como as células-tronco que fazem parte do curativo são retiradas do próprio paciente, e depois cultivadas em laboratório, a técnica permite que o curativo seja facilmente associado ao coração do paciente, minimizando possíveis riscos de rejeição. Isso descarta também a necessidade de uma vida inteira utilizando drogas imunossupressoras, que devem ser tomadas para que não haja rejeição do órgão pelo seu receptor.

Coração BatendoOs pesquisadores esperam que os curativos funcionais, que batem e se contraem, sejam capazes de restaurar as funções vitais do tecido cardíaco danificado. Créditos: Addenbrooke’s Hospital

Em um futuro próximo, os pesquisadores responsáveis pelo estudo esperam conseguir imprimir o tecido em uma impressora 3D, fazendo com que ele se encaixe perfeitamente na área em que o músculo foi danificado. Um curativo feito sob medida! O maior desafio da equipe é fazer com que os impulsos elétricos do curativo sejam integrados aos batimentos cardíacos, sem perda da função do órgão. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo devem receber em breve os adesivos de células-tronco que foram aprovados para a realização de testes em animais. Se os resultados forem promissores, dentro de 5 anos eles irão para testes clínicos em humanos.

Fontes: British Heart Foundation e Futurism

Paulo Jubilut é o professor e biólogo responsável pelo projeto Biologia Total. Também tem participação fixa no programa “Encontro com Fátima Bernardes”’ da Rede Globo. A sua atuação está vinculada ao ensino e divulgação das Ciências Biológicas através das redes sociais e internet. Conheça a página do professor no Facebook e o site Biologia Total. A opinião expressa nos artigos é de responsabilidade dos colunistas convidados e não correspondem à opinião da Bayer como empresa.

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