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Agricultura Moderna: o que isso significa para um morador urbano?

A minha infância foi muito próxima do campo.

18.03.2020 - Por Mundo Agro

A minha infância foi muito próxima do campo.

Nasci em Cruzeiro (SP), uma pequena cidade do Vale do Paraíba, e desde muito pequeno tive a oportunidade de frequentar o sítio e a fazenda da minha família. Apesar de não ser uma região de grande representatividade agrícola, meus avós sempre tiveram grande contato com a terra e suas atividades, cultivando vegetais e criando animais.

Lembro-me claramente das idas à horta descalço para colher temperos, legumes e frutas, e dos pastos com animais grandes demais para o meu gosto. Mas isso ficou no passado e a vida dá muitas voltas! Há 15 anos venho me tornando um morador tipicamente paulistano e podendo fazer um interessante comparativo entre os modos de vida rural e urbano. Talvez uma das constatações mais evidentes tenha sido de que a percepção sobre o campo é distorcida para quem mora na cidade, ainda mais quando o assunto é a evolução do setor agrícola e o que de fato é agricultura moderna.

Para provar a minha tese, venho aqui responder a algumas perguntas sobre agricultura – e um pouco sobre a sua modernização – e talvez trazer novos elementos para quem mora na cidade e não trabalha com ou não é um especialista em agricultura.

Quando surgiu a agricultura?

Costuma-se assumir que a agricultura teve início há 12.500 anos, com base nos primeiros achados arqueológicos que indicam a domesticação de plantas e animais para diferentes usos. Foi justamente quando começamos a deixar de ser caçadores e coletores, e tornamo-nos sedentários, ao passo em que começávamos a nos estabelecer em pequenas comunidades. É claro que se tratava de uma agricultura extremamente rudimentar, muito diferente da agricultura como a que conhecemos hoje, mas que já representava uma nova forma de relação do homem com a terra e diferentes espécies de seres vivos. Em linhas gerais, o que houve ao longo do tempo foi um grande processo de aprimoramento de muitas técnicas que melhoraram de inúmeras formas a qualidade do cultivo. Se hoje o agricultor está muito melhor amparado para tomar entre 40 e 50 decisões extremamente importantes ao logo da safra, isso é resultado desses milhares de anos de evolução – principalmente nos últimos 70 anos.

O Brasil é um país que usa muita terra para plantar?

Isso certamente depende do que é “muito” pra você, mas a resposta é não, apesar de muitos acharem que a agricultura explora a maior parte da área do país. O que poucos sabem é que enquanto 66,3% da área total do território nacional são reservados a preservação e proteção, apenas 7,8% são alocados para a agricultura – uma diferença de 8,5 vezes entre as duas! Isso é possível graças a um rico histórico de uso de tecnologias que permitem o aumento da produtividade sem um aumento proporcional da área plantada, resultando em menor impacto para o meio ambiente. Ao longo dos últimos 40 anos, enquanto essa área cresceu aproximadamente 30%, a produtividade aumentou 242%. E as estimativas futuras continuam positivas. Recentemente, o Ministério da Agricultura e a Embrapa lançaram um estudo que prevê que a área de cultivo aumentará 13,63%, enquanto a produtividade média deverá crescer 27% – o que poderá ser ainda maior se considerarmos as ferramentas inovadoras que estão por vir.

Então uma agricultura moderna pode ser sustentável?

Não só pode, como terá que ser. Teremos 10 bilhões de pessoas para alimentar no mundo em 2050. Isso significa que precisamos aumentar nossa produção global de alimentos em 60%. Hoje, a agricultura já utiliza aproximadamente 75% da água potável disponível, o que deverá ser melhor equacionado num futuro próximo. Será apenas com a modernização das ferramentas que ajudam o agricultor a vencer seus diversos desafios que atingiremos sustentabilidade em uma escala aceitável. Um grande exemplo positivo é o uso da biotecnologia moderna (como a transgenia), aplicada em diferentes culturas agrícolas em muitos países. Graças a ela, um considerável aumento de produtividade permitiu que milhões de hectares fossem preservados. Devido a melhorias na proteção das culturas ao ataque de pragas e a um menor uso de maquinário, houve uma redução de emissão de CO2 equivalente à retirada de quase 17 milhões de carros das ruas por um ano. Estima-se que aproximadamente 65 milhões de produtores rurais e suas famílias tiveram sua qualidade de vida aumentada com o alívio da pobreza e uma melhor alimentação – principalmente em países em desenvolvimento. E podemos alcançar muito mais com o uso correto de novas e promissoras tecnologias.

Há algum tempo meu pai me dizia – sem criticar, apenas constatando – que as crianças da cidade acham que a origem do leite, da carne e dos vegetais que comem são a própria prateleira do supermercado.

Eu tirei leite da vaca, peguei ovo no galinheiro e andei em pastos de milho e cana-de-açúcar, mas é de se esperar que muitos moradores dos centros urbanos não tenham tido essas experiências na infância. Mais do que isso, talvez eles tenham uma visão alterada da agricultura e não tenham conhecimento de sua positiva modernização. Hoje eu vejo a importância de comunicarmos bem a realidade do campo, assim como os avanços científicos e tecnológicos que permitem com que façamos uma agricultura melhor e mais sustentável.

REFERÊNCIAS

http://www.agricultura.gov.br/noticias/em-dez-anos-area-plantada-no-brasil-sera-ampliada-em-10-3-milhoes-de-hectares https://www.facebook.com/YouthAgSummit/videos/553288488574269/ http://www.isaaa.org/resources/publications/briefs/54/executivesummary/default.asp

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