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A Inteligência Artificial já é capaz de prever a eficácia de tratamentos médicos

E se fosse possível prever o resultado final de um tratamento médico, antes mesmo de iniciá-lo?

05.02.2019 - Por Bayer Jovens

Certamente chegaríamos muito mais rápido à cura de diversas enfermidades. Na teoria, a equipe médica deve saber qual a melhor maneira de tratar cada um dos pacientes, mas na prática as coisas não são tão simples assim. Para ajudar nos diagnósticos, pesquisadores finlandeses criaram um método de inteligência artificial, capaz de oferecer o tratamento mais eficaz a cada tipo diferente de paciente.

Você já parou pra pensar como surgem os tratamentos que hoje são utilizados em diferentes enfermidades? Inúmeros estudos são realizados antes mesmo dos primeiros testes começarem. Esse modo de trabalhar costuma ser eficaz? Sim, sem dúvidas! Principalmente porque os testes são realizados por diversas vezes e com um grande número de pacientes. Mas... seria possível fazer isso de uma outra maneira? Hoje, os tratamentos são estabelecidos a partir dos resultados obtidos com a maioria, e não é levado em conta a possibilidade de uma pessoa ser beneficiada com um tratamento que não funciona para outras pessoas. Pesquisadores da Universidade do Leste da Finlândia parecem ter respostas para muitas dessas questões, todas elas obtidas através de Inteligência Artificial.

A Inteligência Artificial é a nova promessa tecnológica para os próximos anos! Ela permite a construção de pensamentos e capacidade intelectual semelhante ao ser humano, só que de forma mais rápida e precisa! Tudo isso acontece através da manipulação e controle de dados, capaz de gerar conhecimentos e permitir conclusões.

Na pesquisa em questão, a Inteligência Artificial foi utilizada para avaliar a eficácia de um tratamento de apneia obstrutiva do sono, um distúrbio grave em que a pessoa para de respirar diversas vezes enquanto dorme. Em muitos dos casos, pacientes que possuem esta condição são obrigados a se submeter à cirurgias ou ao uso de próteses, que impedem a obstrução das vias áreas.

Através da análise individual de pacientes e de tratamentos já existentes e novos, o método de inteligência artificial apontou que um tipo determinado de tratamento utilizado para tratar a apneia, também foi capaz de reduzir a ocorrência de infartos do miocárdio a longo prazo, em diversos pacientes. Porém, em pacientes cardíacos, este mesmo método quando aplicado não se mostrou benéfico para nenhuma das enfermidades. Ou seja, alguns pacientes podem ser beneficiados (ou até mesmo prejudicados) de tratamentos que não geram respostas em outros.

A descoberta só foi possível porque o sistema de inteligência artificial utilizado na pesquisa, chamado de Redes Bayesianas, é capaz de digitalizar e rever milhões de registros médicos, avaliando quais são os melhores passos para curar pacientes com doenças específicas. Tudo isso acontece com a utilização de algoritmos que utilizam as mais diversas variáveis de cada paciente: idade, fatores genéticos, histórico de doenças, hábitos, etc. Através da combinação de dados, o sistema é capaz de fornecer qual seria o medicamento mais apropriado para que os casos não se agravem. Desta forma, antes de recorrerem à diversas combinações de tratamentos, os especialistas podem optar por práticas mais seguras, exclusivas para cada caso.

E muitos outros estudos na mesma linha vêm sendo realizados em todo o mundo! Recentemente, um outro projeto experimental desenvolvido nos Estados Unidos, também está utilizando a inteligência artificial como forma de agilizar o atendimento em emergências de hospitais. O sistema utiliza um algoritmo que coleta dados de milhares de atendimentos, e é capaz de comparar a situação em questão com tantos outras que já passaram por atendimento no local, antes que a condição do paciente se torne crítica.

Mesmo diante dos benefícios que a utilização de sistemas de inteligência artificial já permitem, principalmente na medicina, vem crescendo a preocupação de algumas pessoas a respeito do sigilo médico permitido (ou não) pelos robôs. O desenvolvimento de novos sistemas e uma maior utilização dos mesmos, deve torná-los mais seguros e menos vulneráveis. E pra quem está pensando que em breve todos os humanos serão substituídos por robôs, os pesquisadores deixaram claro que a intenção deles não é fazer com que as máquinas substituam os médicos, mas, através do uso de dados, das experiências e de tecnologias, mudar a forma que os serviços são administrados, aumentando consideravelmente a satisfação dos pacientes. O futuro chegou!

Paulo Jubilut é o professor e biólogo responsável pelo projeto Biologia Total. Também tem participação fixa no programa “Encontro com Fátima Bernardes”’ da Rede Globo. A sua atuação está vinculada ao ensino e divulgação das Ciências Biológicas através das redes sociais e internet. Conheça a página do professor no Facebook e o site Biologia Total. A opinião expressa nos artigos é de responsabilidade dos colunistas convidados e não correspondem à opinião da Bayer como empresa.

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