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Ciência & Inovação

A ciência poderá nos levar à imortalidade?

Você já parou pra pensar como seria a sua vida hoje, se sua expectativa de vida fosse de apenas 24 anos?

23.05.2019 - Por Paulo Valim

Acredite, essa era a realidade da população mundial há 1000 anos e a situação não mudou muito até o advento da revolução industrial, onde a expectativa de vida da população de alguns poucos países, principalmente europeus, conseguiam chegar até aos 40 anos.

A partir daí, com o avanço da tecnologia, investimento em políticas de saneamento, infraestrutura e o aumento da distribuição de renda, a expectativa de vida chega hoje aos 75 anos.

E estamos agora às portas de um novo grande salto com a chegada da 4ª revolução industrial, que unirá tecnologias digitais, físicas e biológicas, podendo nos levar, quem sabe, a viver até aos 130, 140, 150 anos...

O caminho mais provável para a medicina da longevidade está na prevenção e não na remediação. Um organismo durante a sua vida possui artifícios incríveis para manter a homeostase (equilíbrio fisiológico do corpo), mas sempre que não é possível equilibrar a balança, sinais aparecem. E desde que a medicina existe, ela se baseia nestes sinais para entender as múltiplas problemáticas que o organismo humano pode apresentar.

Invenções simples como o estetoscópio (que permite escutar sons internos do corpo), ou um pouco mais complexas, como o esfignomanômetro (usado para aferir a pressão arterial) são ainda hoje muito importantes para a clínica geral e possuem capacidade enorme de salvar vidas.

A revolução está prestes a acontecer com a incorporação destes e outros equipamentos de diagnóstico a dispositivos que estejam constantemente em contato com o nosso corpo. É o monitoramento em tempo integral.

No ano passado, a Apple lançou a quarta geração do seu relógio inteligente (smartwatch) que é capaz de gravar as batidas e o ritmo do seu coração através de um eletrocardiograma, um exame que até então está restrito a hospitais e clínicas.

Dispositivos wearables, como são chamados, são dispositivos vestíveis como relógios, óculos, chips, que estão mudando a relação médico-paciente, antes restrita aos consultórios para o nosso dia a dia.

Por meio deles, os pacientes são capazes de monitorar e gravar seu estado de saúde e acompanhar diariamente indicadores importantes, pois o acesso aos seus dados médicos será feito com muito mais facilidade. Assim, há grandes chances de identificar problemas antes mesmo que os sintomas se manifestem.

Em uma comunidade rural nos Estados Unidos, 50 pessoas sofrendo de 7 doenças crônicas, como diabetes e problemas cardíacos, foram equipados com dispositivos que mediam o nível de oxigênio, batimentos cardíacos, pressão sanguínea e peso. E, em apenas, três meses depois, estes são os resultados:

  • Redução de 14 para 5 dias que esses pacientes passavam no hospital.
  • Economia de 90.000 dólares por pessoa.
  • E um melhor entendimento da sua condição e sintomas, o que reduziu o número de chamadas para emergência.

Sem dúvida, com o aumento do número de pessoas utilizando esses dispositivos, o volume incrível de dados gerados irá alimentar máquinas poderosas como o Watson IBM, e assim, estarão cada vez mais aptas a diagnosticar doenças em frações de segundo.

Como no caso de uma paciente de 60 anos diagnosticada com um tipo raro de leucemia pelo Watson em apenas 10 minutos, após ter recebido diagnóstico errado alguns meses antes.

Watson conseguiu esse feito comparando as mudanças genéticas da paciente com uma base de dados de 20 milhões de artigos científicos sobre o câncer. Com um diagnóstico preciso, médicos agora poderão dar um tratamento mais apropriado à paciente, aumentando as chances de sua recuperação.

Nesse ritmo, será que alcançaremos a imortalidade?

Publicado em Ciência & Inovação
Paulo Valim
Paulo Valim

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Paulo Valim é professor, químico e fundador do canal Ciência em Ação, que hoje conta com mais de 600 mil inscritos no Youtube. Apaixonado por educação e inovação, tem como missão democratizar o ensino de ciências no Brasil. A opinião expressa nos artigos é de responsabilidade dos colunistas convidados e não correspondem à opinião da Bayer como empresa.