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A ciência da atração sexual

O que será que nos faz sentir atração por outras pessoas? Aparência física? Timbre de voz? Personalidade? Interesses pessoais?

04.01.2017 - Por Paulo Jubilut

É claro que todas essas características influenciam na escolha de parceiros, mas o que explica aquela atração física imediata e instintiva que às vezes sentimos por alguém e que nem nós mesmos conseguimos explicar? Esta é uma questão complexa que ainda não foi completamente desvendada, mas a ciência tem algumas hipóteses que explicam as forças invisíveis da atração sexual! Conheça algumas delas!

O amor está no ar

Alguns estudos sugerem que os feromônios – mensageiros químicos emitidos por um indivíduo e que geram uma resposta fisiológica ou comportamental em outro indivíduo da mesma espécie – possuem um papel importante na atração sexual e consequentemente para a biologia reprodutiva humana. Muitos desses feromônios parecem influenciar na receptividade de uma pessoa a outra do sexo oposto.

Sabe-se que pessoas tendem a sentir mais atração por outras cujos genes do sistema antígeno leucocitário humano (na sigla em inglês, HLA) – sistema que permite ao nosso organismo identificar células perigosas, vírus e bactérias – são diferentes de seus próprios, e isso é percebido através de pistas olfativas. Segundo um estudo bastante recente, publicado na revista Scientific Reports, quanto maior a diferença destes genes entre um casal, maior o desejo e a satisfação sexual. Em outro estudo, pesquisadores verificaram que mulheres tendem a classificar o cheiro de camisetas usadas por homens que possuem o HLA diferente do seu como mais atraente em relação àquelas usadas por homens com HLA similar. Curiosamente, essa mesma relação não foi percebida quando quem julgava o cheiro eram mulheres sob efeito de pílula anticoncepcional! Como o HLA está relacionado ao sistema imunológico – o sistema de defesa do nosso organismo –, acredita-se que esta preferência por parceiros com o sistema imune diferente esteja relacionada com a sobrevivência da espécie humana, já que aumentaria a resistência dos descendentes a um número maior de doenças.

Amor à primeira vista

Mas a atração não é influenciada apenas por cheiros. Como não poderia deixar de ser, pistas visuais também são percebidas por nossa espécie. Em um estudo conduzido na Europa, cerca de 50 mulheres entre 19 e 33 anos foram fotografadas no pico de seu período reprodutivo e novamente cerca de 10 dias depois. As imagens pareadas foram apresentadas para quase 250 homens e mulheres para que escolhessem em qual das fotos a pessoa estava mais atraente. A maioria indicou, sem saber, a foto tirada no período fértil. Mais interessante, segundo os pesquisadores, foi notar que mulheres foram mais sensíveis a esse efeito do período fértil do que homens, embora não haja ainda uma explicação para isso. Para os pesquisadores esta maior atratividade no período fértil pode ser uma adaptação da espécie humana que aumentaria a probabilidade de concepção. Quanto às pistas que nosso cérebro utilizaria para reconhecer o período fértil, isso também é uma pergunta sem resposta.

Exemplos das fotos pareadas que foram apresentadas aos entrevistados do estudo.
Fonte: Modificada de Biology Letters.

Música para os ouvidos

E não é que a fertilidade feminina pode influenciar também nos sons? Pois é, dessa vez pesquisadores avaliaram o efeito do ciclo menstrual na receptividade à voz feminina. Tanto homens quanto mulheres classificaram a voz de mulheres gravadas durante o período fértil como sendo mais atrativas do que quando gravadas no período de baixa fertilidade. Além disso, a condutividade elétrica da pele e os batimentos cardíacos foram em geral mais altos quando as pessoas avaliadas ouviram vozes de mulheres gravadas no período fértil.

A beleza está nos olhos de quem vê!

E quem nunca se encantou com a personalidade de alguém? Segundo um estudo de 2014, traços de personalidade considerados como positivos – como bondade, gentileza e honestidade – podem aumentar a percepção de atratividade facial. Fotos com expressões faciais neutras foram mais frequentemente classificadas como atraentes quando associadas a descrições, por escrito, de traços positivos, enquanto receberam menos qualificações atraentes quando não havia descrição de personalidade e ainda menos quando associadas a descrições negativas.

Não bastassem todos esses fatores biológicos influenciando na atração que uma pessoa exerce sobre outra, há ainda um complicador maior nessa química: somos uma espécie fortemente influenciada por fatores culturais e psicológicos! Isso tudo só torna o caldeirão de sinais que nosso cérebro precisa avaliar ainda mais temperado. No final das contas, quem nos atrai ainda é uma questão muito individual.

Fontes:

Scientific Reports; EJOG; Biology Letters; Physiology & Behavior; Personality and Individual Differences.

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